A aplicação de modelos matemáticos desenvolvidos na Universidade de Aveiro (UA), com base nas características técnicas dos veículos, permite prever a gravidade dos acidentes e adequar os meios de socorro a empregar, divulgou hoje fonte académica.

Uma das aplicações práticas do trabalho científico desenvolvido por Guilhermina Torrão, do Grupo de Investigação em Tecnologia dos Transportes no Departamento de Engenharia Mecânica da UA, é melhorar no futuro o socorro às vítimas, permitindo às equipas de emergência médica e aos bombeiros levarem para o local do acidente o equipamento adequado, tendo em conta o possível cenário.

A identificação das viaturas envolvidas pode fazer «ganhar tempo», já que com a informação da idade e da cilindrada, os modelos matemáticos agora desenvolvidos na Universidade de Aveiro permitem antever qual a probabilidade da existência ou não de feridos graves ou de vítimas mortais.

Para a construção dos modelos, Guilhermina Torrão recolheu dados sobre acidentes de viação junto da GNR do Porto, relativos ao período de 2006 e 2010.

Face aos resultados obtidos, para os acidentes envolvendo um único veículo - isto é, situações de despiste - «o modelo de previsão do risco de gravidade identificou a idade e a cilindrada do veículo como estatisticamente significativas» para a previsão de feridos graves ou de mortos.

«Tal como seria expectável, veículos mais antigos oferecem sistemas de segurança ativa e segurança passiva menos eficientes. Por exemplo, «a inexistência de airbags nos modelos mais antigos aumenta o risco de o acidente ser grave», observa Guilhermina Torrão.

Quanto à interpretação do fator da cilindrada, está relacionada com o maior poder de aceleração e, por exemplo, os veículos desportivos com turbo potenciam conduções com velocidade excessiva, dependendo também do perfil do condutor.

No caso de colisões, o estudo da UA aponta que «os modelos revelaram que as consequências do acidente estão mais diretamente relacionadas com as características do outro veículo envolvido na colisão, do que propriamente com as características do veículo em análise».

Segundo Guilhermina Torrão, «nas colisões, os modelos desenvolvidos para prever a probabilidade de feridos graves e ou mortos, constataram que a cilindrada do veículo oposto aumenta o risco para os ocupantes do veículo analisado».

A investigadora apresenta o seguinte exemplo: «Supondo que o veículo em análise tem uma colisão com um veículo pequeno de 799 centímetros cúbicos, a probabilidade dos ocupantes do veículo em análise sofrerem ferimentos graves ou morrerem é de 12%. Situação bem diferente será se o veículo em análise sofrer uma colisão com um veículo maior, com uma cilindrada de 3.600 centímetros cúbicos. Neste caso a probabilidade dos ocupantes do veículo em análise sofrerem ferimentos graves ou morrerem é de 98%», sublinha.

Além do interesse para as equipas de emergência, os modelos de previsão da gravidade do acidente poderão ter aplicação na indústria automóvel, para que possa otimizar a relação entre poder de aceleração e o design dos veículos, e pelas seguradoras, na determinação do prémio do veículo segurado, tendo com base as suas características técnicas.