O Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP) considerou esta terça-feira «manifestamente insuficiente» o número de profissionais que o Ministério da Saúde pretende contratar este e no próximo ano, cerca de 1.700 enfermeiros.

Após uma reunião na segunda-feira com o Ministério da Saúde, os enfermeiros decidiram manter dois dias de greve nacional para quarta e quinta-feira dois dias de greve nacional, um protesto que visa essencialmente lutar contra a «grave carência» de profissionais nas unidades públicas de saúde e pela dignificação da profissão e da carreira de enfermagem.

«A quase totalidade dos enfermeiros faz entre 48 a 56 horas por semana, está impedida de gozar as folgas que a lei impõe e não se perspetiva quando poderão gozar os milhares de dias em dívida», refere o Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP) num comunicado.

Em declarações à agência Lusa, Guadalupe Simões, sindicalista do SEP, adiantou que o Ministério da Saúde se comprometeu com a contratação de 700 novos enfermeiros em 2015, o que para o sindicato é «manifestamente insuficiente».

«A grave carência de enfermeiros em todas as instituições do Serviço Nacional de Saúde (SNS) não se minimiza com a contratação de apenas mais 700 enfermeiros, em 2015, além dos mil já anunciados a 18 de setembro [a contratar até ao fim deste ano]».

Nas contas dos sindicalistas, seriam precisos mais 25 mil enfermeiros no Serviço Nacional de Saúde, a juntar aos cerca de 39 mil existentes nos serviços públicos.

Na terça-feira, no final de uma reunião com o sindicato, o Ministério da Saúde veio lamentar a «ausência de acordo¿, indicando que pretende dar sequência aos «compromissos apresentados», como a contratação de mil novos enfermeiros.

Sobre as razões para os dois dias de greve nacional, Guadalupe Simões frisou que há «em todos os hospitais milhares de dias em dívida» aos enfermeiros, devido a folgas por gozar, que criam «processos de exaustão».

A paralisação serve precisamente para contestar esta situação e lutar pela contratação de mais enfermeiros.

O SEP exige ainda uma valorização da profissão, as 35 horas semanais de trabalho para todos, a progressão na carreira e a reposição do valor das horas suplementares e noturnas.