Os trabalhadores do grupo de comunicação social Controlinveste, que detém títulos como o «Diário de Notícias», o «Jornal de Notícias» ou a TSF, estão esta sexta-feira, em greve, contra o despedimento coletivo de 140 funcionários do grupo, entre os quais 64 são jornalistas.

A greve de 24 horas foi convocada pelo Sindicato dos Jornalistas que apelou, esta quinta-feira, em comunicado, a uma forte adesão dada a «violência e a dimensão» do despedimento.

«O despedimento colectivo de 140 trabalhadores assume uma violência e uma dimensão de que não há memória nas quatro décadas da democracia portuguesa. A concretizar-se, colocaria em causa a qualidade informação e mesmo a continuidade dos órgãos de informação atingidos, que já têm redações extremamente depauperadas», justificou o sindicato.

A TSF já alertou os leitores e ouvintes para os efeitos da greve na sua emissão, que «terão um particular impacto no site e na antena da TSF pela necessidade constante de atualizar a informação».

Esta greve ocorre depois de na segunda-feira, mais de uma centena de pessoas no Porto e algumas dezenas em Lisboa terem-se concentrado, em frente aos edifícios da Controlinveste, numa vígilia de protesto.

Os despedimentos em causa visam 24 jornalistas do «Diário de Notícias», 20 do «Jornal de Notícias», sete da TSF, três do «Dinheiro Vivo», dois de «O Jogo», dois da «Notícias Magazine» e metade do número de fotojornalistas da Global Imagens, segundo os números divulgados pelo sindicato.

Num comunicado publicado a 11 de Junho, a administração do grupo considerou a medida como «indispensável para assegurar o futuro da empresa», referindo «a evolução negativa do mercado dos media e a acentuada quebra de receitas do sector» como fator determinante para a decisão.

Além do despedimento coletivo de 140 trabalhadores, outros 20 funcionários vão sair do grupo, mas por rescisão amigável, o que perfaz, no total, uma redução de 160 trabalhadores.

O conselho de administração da Controlinveste é presidido por Daniel Proença de Carvalho desde a recente recomposição acionista que integrou no capital do grupo os empresários António Mosquito (27,5%) e Luiz Montez (15%), além dos bancos BCP e BES (ambos com 15%). O anterior proprietário, Joaquim Oliveira, passou a deter 27,5%.