Mais de 500 idosos em situação de risco foram sinalizados este ano pela GNR a instituições locais para receberem apoio social e médico, disse hoje à agência Lusa o major Paulo Poiares.

Segundo o responsável da GNR, foram detetados pelos militares, entre janeiro e agosto, 549 idosos a necessitaram de apoio social e acompanhamento médico.

“Verificámos que além das questões de segurança existem outras questões sociais prementes que precisam de ser resolvidas”, como problemas de “má nutrição” e de saúde, disse Paulo Poiares, que falava à Lusa a propósito do Dia Internacional do Idoso, assinalado a 01 de outubro.


As situações de risco têm estado a aumentar, bem como o número de idosos a viver sozinhos ou isolados, mas Paulo Poiares justificou que este aumento pode dever-se ao facto de os militares estarem a conseguir chegar a mais locais do país e a mais idosos.

Na operação “ Censos Sénior” realizada em abril de 2014, a GNR sinalizou 39.216 idosos a viverem sozinhos ou isolados em todo o país, mais 5.253 face a 2013.

O trabalho da GNR junto dos idosos é desenvolvido em rede com outras instituições a nível local, como autarquias, juntas de freguesia, centros de saúde, Santa Casa da Misericórdia ou Segurança Social.

Quando são detetadas situações de risco é no trabalho em rede que “se procuram as melhores soluções”, envolvendo a família do idoso, “que é a primeira a ser contactada”.

Inicialmente os idosos oferecem “alguma resistência” em receber apoio, mas depois de alguns contactos em que são esclarecidos sobre o que se vai passar acabam por aceitar.

“O apoio mais difícil de aceitar é quando propomos que saiam da sua residência, por estar degradada e não ter condições de segurança”, e que passem para um lar ou para um centro de dia, contou Paulo Poiares.


“Já estão familiarizados com aquele espaço e não querem abandonar o seu lar”, disse o major, adiantando que nestes casos é disponibilizado o contacto direto de um militar a quem podem recorrer para pedir apoio.

Os militares também incluem no seu patrulhamento diário a passagem pela residência destes idosos para “garantir que está tudo bem”, acabando por se criarem laços de amizade.

“Grande parte do tempo que é passado com os idosos é a falar de tudo, menos das questões de segurança”, comentou Paulo Poiares, rematando: “Fazemos os nossos alertas, mas o idoso, que vive isolado e já não está habituado a receber visitas, tenta explorar ao máximo aquele momento de contacto com o militar”.

As situações que “mais preocupam” os militares prendem-se com os maus tratos físicos e psicológicos muitas vezes vividos em segredo pelos idosos.

“Os idosos vivem com os familiares, mas estes [nalguns casos] privam os militares de falar com o idoso. Depois de várias abordagens verificamos que está a ser alvo de maus-tratos e de abusos dos familiares”, lamentou.


Mas é difícil chegar a essa informação, porque com o avançar da idade, o idoso “refugia-se e vai-se isolando da sociedade” e, quando “o agressor é a pessoa de quem dependem, há o receio de perder essa dependência” e “preferem manter-se em casa subjugados a estes comportamentos” sem denunciar a situação.