A serra de São Brás de Alportel começou esta quinta-feira a ser vigiada pelo exército, no âmbito de uma colaboração com o município para prevenção de incêndios florestais, que não teria sido prosseguida sem a insistência da Câmara, disse o presidente.

Vítor Guerreiro disse à Lusa que o protocolo com o exército, que previa a colocação de duas viaturas e os respetivos militares a patrulhar em permanência a zona serrana do concelho, “devia ter começado no terreno no início de julho”, mas quando chegou a data “a autarquia percebeu com estranheza que não estava ninguém destacado no local”.

O autarca explicou que o exército informou a câmara algarvia que “não estavam reunidas as condições para essa colaboração se realizar, devido à falta meios”, argumento que Vítor Guerreiro disse não compreender, porque “a autarquia assumia todos os custos na reparação de viaturas, nos combustíveis e na alimentação” dos elementos que constituem as equipas de vigilância destacadas para o concelho.

O exército teria que disponibilizar as viaturas e os militares necessários para o patrulhamento de um concelho que tem quase a totalidade da sua área em zona serrana e em 2012 foi atingido pelo grande incêndio que afetou também o município vizinho de Tavira, consumindo mais de 20.000 hectares de floresta na serra do Caldeirão.

“Quando nos disseram que não havia condições para prosseguir a colaboração, nós não pudemos aceitar isso, contactámos o Ministério da Defesa Nacional e argumentámos com a grande importância que esta parceria tinha para a vigilância da serra, a prevenção de incêndios florestais e o sentimento de segurança de uma população que vive dispersa e é maioritariamente idosa”, acrescentou.


Os argumentos do município “acabaram por ser tidos em conta pela tutela, que reavaliou a situação e fez com que a parceria com o exército fosse, embora com mais de um mês de atraso, retomada hoje", afirmou Vítor Guerreiro.

O autarca destacou ainda os “efeitos positivos e psicológicos que a presença de patrulhas com militares do exército tem nas populações da serra, que vivem em aldeias dispersas e são na sua grande maioria compostas por idosos” que “ainda têm presente na memória o incêndio” de 2012.

A autarquia emitiu um comunicado a anunciar o início das patrulhas na serra, que considerou serem “a primeira etapa na luta contra os incêndios florestais”, ao “sensibilizar as populações para comportamentos positivos” e “diminuir a probabilidade de ocorrências” de fogos.

“O território são-brasense é constituído, na sua maioria, por serra, um património natural que importa salvaguardar e que representa também uma das principais fontes de riqueza económica do município”, sublinhou a autarquia.