Pelo menos três cidadãos portugueses foram vítimas de sequestro na Venezuela desde janeiro, segundo fontes da comunidade portuguesa no país.

As mesmas fontes dão conta ainda que pelo menos uma dezena de portugueses foi vítima do chamado «sequestro expresso», uma modalidade em que a viatura da vítima é intercetada por criminosos que o retêm durante várias horas, até que os familiares paguem um resgate pela devolução do carro.

A polícia venezuelana apelou esta quinta-feira aos portugueses radicados na Venezuela para que denunciem às autoridades as diferentes situações de sequestro, insistindo que a comunidade lusa pode contar com as forças de segurança do país.

«Somos especialistas em atacar o delito pluri-ofensivo do sequestro. Convido os cidadãos portugueses que se encontram nesta nação, que os acolhemos como irmãos, a que denunciem este delito. Nós estamos para servir, para os ajudar. Contem connosco», disse à agência Lusa o inspetor Óscar Pérez.

Segundo o inspetor, a Brigada de Ações Especiais (BAE), fundada há 32 anos, é um grupo especializado no combate a «casos de alta complexidade, como sequestros, tráfico de droga, homicídios, busca e resgate de pessoas», diversificando a sua ação «em diferentes tipos de comando, não apenas na parte tática terrestre, mas também na aérea e marítima».

«Este ano, fundámos a Brigada AK33 que se dedica à odorologia forense ou peritagem canina, com a missão de afiançar essa investigação criminosa para identificar o agressor de maneira mais oportuna e pronta.»


Em declarações à Agência Lusa, aquele responsável explicou ainda que os «cães são treinados de maneira multi-facética, não só na parte de busca de substâncias estupefacientes, de explosivos, de pessoas sequestradas, mas também para defesa e ataque».

A nova Brigada AK33 foi dada a conhecer aos venezuelanos durante uma demonstração pública da intervenção de um cão num caso do rapto de uma cidadã, no âmbito de uma exposição policial que está aberta ao público em Caracas.

Na Venezuela são frequentes as queixas dos cidadãos sobre a insegurança, designadamente os casos de sequestro, que atingem anualmente milhares de pessoas, afetando por igual cidadãos nacionais e estrangeiros radicados no país.

A maioria dos casos de sequestro não são denunciados às autoridades e os familiares tentam ocultar essas situações da imprensa, por temerem represálias.

A legislação venezuelana prevê o congelamento das contas bancárias dos cidadãos vítimas de sequestro enquanto se encontram em paradeiro desconhecido.