Nenhuma das escolas do Alto Minho com «prioridade elevadíssima» de intervenção vai sofrer obras de beneficiação no âmbito dos novos fundos comunitários. A denúncia foi feita pelo ex-delegado Regional de Educação do Norte Aristides Sousa esta sexta-feira à Lusa.

«A lista que enviaram de Lisboa para a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte (CCDR-N) não inscreve nenhuma das escolas do distrito de Viana do Castelo a necessitar urgentemente de recuperação», afirmou o ex-delegado, que cessou funções segunda-feira passada.

De acordo com Aristides Sousa, antigo vereador do CDS-PP na Câmara de Viana do Castelo, a lista elaborada pelos serviços da Direção Regional de Educação do Norte (DREN), ao nível dos 86 municípios que a integram, «incluía as escolas do Alto Minho que há anos reclamam intervenção urgente».

Adiantou «não ter dúvidas» de que não foi selecionado no concurso público interno para a escolha dos novos delegados regionais de educação por se ter «insurgido contra a não-inclusão de nenhuma escola do distrito de Viana do Castelo».

«A minha saída ficou a dever-se à minha contestação à não-inclusão de escolas do Alto Minho, cuja intervenção é urgente. Há muito que me vinha insurgindo contra esse facto. Não é por eu ser da região que identifiquei essas escolas, mas foi o resultado de um trabalho aturado com a CCDRN feito entre abril e setembro de 2014.»

Também o presidente da Comunidade Intermunicipal (CIM) do Alto Minho quer explicações do ministro da Educação para a não-inclusão de escolas da região, a precisar de «intervenção prioritária», na lista a candidatar aos novos fundos comunitários.

«Ficámos surpresos com esta informação. O que eu posso dizer é que já solicitámos uma reunião ao ministro da Educação para abordarmos este assunto, porque estamos muito preocupados», sustentou o socialista José Maria Costa, adiantando ter recebido essa indicação de fonte oficiosa.

Confrontado pela agência Lusa, à margem da sessão pública do novo plano de gestão da Região Hidrográfica do Minho e Lima, afirmou que o encontro com Nuno Crato servirá para saber «se é ou não verdade que as seis escolas do distrito em situação mais preocupante foram excluídas dos planos do Governo».

«Porque é que elas saíram e, se saíram, o que é que o ministério está a pensar? Financiar as obras através do Orçamento de Estado ou há outros financiamentos? Ou então as escolas perderam-se nos corredores do ministério ou há uma falha na listagem.»


Além de querer reunir com o ministro Nuno Crato, José Maria Costa adiantou que a CIM do Alto Minho enviou também um pedido de audiência conjunta à Comissão de Coordenação Desenvolvimento Regional do Norte (CCDR-N) e à Direção-Geral dos Estabelecimentos Escolares (DGESTE) do Norte.

«A ser verdade esta informação, é uma grande preocupação porque não estamos a ver como é que as nossas crianças vão ter escolas nos próximos anos já que estão em péssimas condições», sustentou o líder da CIM.

Como exemplo de um caso «gritante» na região apontou o da Escola Frei Bartolomeu dos Mártires, em Viana do Castelo, afirmando «haver o risco de estar quase impraticável no próximo inverno».

A Escola Secundária de Barroselas, também naquele concelho, integra o levantamento feito pela CIM do Minho que inclui ainda casos em Ponte de Lima, Arcos Valdevez, Valença e Monção.