O presidente da Associação das Empresas de Segurança Privada, Rogério Alves, disse hoje esperar que os dados do último Relatório de Segurança Interna «ajudem a combater os fenómenos criminais ligados à prática de crimes» associados a este setor.

Segurança privada «progressivamente infiltrada» por grupos criminosos

Segundo o Relatório Anual de Segurança Interna (RASI) de 2013, a segurança privada tem vindo a ser «progressivamente» infiltrada por grupos criminosos ligados à extorsão, tráfico de droga e de seres humanos, comércio ilegal de armas, lenocínio e auxílio à imigração ilegal.

Rogério Alves entende que «quem faz batota e pratica atos ilícitos prejudica gravemente as empresas que atuam dentro da legalidade».

«Esperamos que este relatório ajude a combater os fenómenos criminais ligados à prática de crimes violentos ou menos violentos e ao branqueamento de capitais», disse à agência Lusa o advogado, defendendo uma fiscalização «mais intensiva» às empresas de segurança privada, designadamente por parte da PSP, Autoridade para as Condições do Trabalho e Administração Fiscal.

Rogério Alves considerou também um «fenómeno grave» as suspeitas de que membros de grupos criminosos estejam infiltrados em empresas de segurança privada, apesar de estas estarem reguladas por lei e sujeitas a fiscalização.

«Se alguém a coberto de uma empresa privada de segurança pratica crimes, deve ser punido e, se houver algum sintoma de branqueamento de capitais neste setor, as autoridades devem atuar», disse, observando que um dos «cavalos de batalha» da associação é a luta pelo saneamento do setor, pela regulação e pela sua fiscalização intensiva.

O mesmo responsável alertou para o facto de haver empresas públicas que adjudicam serviços de segurança privada a empresas que praticam preços tão baixos que indiciam que «alguma coisa vai correr mal».

Segundo o RASI, entregue na segunda-feira na Assembleia da República, «a prática de atividades ilegais relacionadas com a segurança privada continuou, em 2013, a ser relevante no contexto da segurança interna».

O relatório adianta que a segurança privada, uma atividade que permite acesso a setores sensíveis e a espaços de diversão noturna, «tem vindo progressivamente a ser infiltrada por elementos associados a grupos criminosos de natureza muito diversa que a desvirtua».

«Há evidências de ligação à extorsão, ao tráfico de estupefacientes, ao comércio ilegal de armas, ao auxílio à imigração ilegal e ao tráfico de seres humanos e lenocínio», refere o RASI, no capítulo dedicado às principais ameaças à segurança interna.