O presidente da empresa Águas do Norte afirmou que não há "motivo para alarme” na região, apesar do momento ser de "grande preocupação", e que “não se vislumbra” uma rotura de abastecimento de água nos próximos meses.

“Aqui as coisas estão relativamente controladas, não há nenhuma situação em que possa haver, ou que se vislumbre, uma rotura de abastecimento para consumo humano”, afirmou Eduardo Gomes, que falava aos jornalistas em Vila Real.

O responsável apontou uma “situação de algum stress”, que obriga à consciencialização de que a “água é um bem escasso” que “tem de ser muito bem gerido e respeitado”.

“Não há nenhuma situação que seja de manifesta emergência, como há, por exemplo, na zona de Viseu”, frisou.

Eduardo Gomes referiu que a empresa possui atualmente “um conjunto de infraestruturas relativamente resilientes” e sublinhou que a Águas do Norte está preparada “para enfrentar este momento de grande stress ainda durante alguns meses”.

Não há, acrescentou, “motivo para alarme” apesar de este ser "um momento de grande preocupação". No entanto, lembrou que “há situações muito críticas no regadio e explorações agrícolas”.

A palavra de ordem, segundo reforçou o presidente do grupo Águas de Portugal, João Nuno Mendes, “é poupar”.

“Nós estamos a viver as alterações climáticas. Quando estatisticamente olhamos para os 10 anos em que choveu menos desde 1931, cinco desses anos aconteceram depois do ano 2000 e, portanto, isto de facto convoca a nossa consciência ambiental”, salientou.

João Nuno Mendes referiu que estão a ser tomadas medidas adaptadas a cada região do país e adiantou que, neste momento, as situações “mais difíceis” se encontram junto à bacia do Sado, no Baixo Alentejo e a Beira Interior.

O presidente da Câmara de Vila Real, Rui Santos, disse o município teve a perceção, já há alguns meses, que os níveis freáticos quer nas barragens quer nas captações próprias “estavam preocupantes” e, por isso, promoveu a campanha “Água. Poupe agora… para não faltar depois!”.

Sublinhou que o apelo passa pelo “uso parcimonioso” da água e referiu que também a câmara está a poupar, utilizando captações próprias (furo) para a rega de jardins e que, mesmo essas, estão a ser feitas “num regime de maior contenção”.

“Até este momento ainda não foi necessário o transporte de água para reservatórios para que essa água chegue aos nossos munícipes. Temos um plano, se tal vier a ser necessário estaremos em condições de agir, mas julgo que a campanha que fomos fazendo surtiu os seus efeitos e, neste momento, garantimos o abastecimento público de água a toda a população”, frisou.

No entanto, reforçou, a “água é um bem escasso e se não chover a situação vai-se, naturalmente, complicar”.

No concelho de Vila Real, o sistema do Alvão funciona, neste momento, só como reserva de água e o abastecimento ao concelho passou a ser feito pela barragem do Pinhão, em detrimento do Sordo, que canaliza a água para os municípios de Santa Marta de Penaguião, Peso da Régua e Mesão Frio.

Os responsáveis falavam à margem da assinatura do acordo entre a Águas do Norte e a Câmara de Vila Real sobre o sistema do Alvão, cuja infraestrutura (albufeira, condutas, estação de tratamento de água e reservatório) passa para a gestão da empresa multimunicipal, a quem cabe a gestão do sistema em alta (captação, tratamento e transporte de água aos reservatórios dos municípios).

O autarca Rui Santos classificou o dia como “histórico” explicando que esta transferência do sistema do Alvão pós “fim a uma litigância de longos anos”.

O edifício do seminário de Vila Real está a sofrer obras de beneficiação para albergar a sede da Águas do Norte. A intervenção representa um investimento de 600 mil euros e deverá estar concluída até ao final do primeiro trimestre de 2018.

Neste espaço trabalharão, numa primeira, fase 60 pessoas, podendo chegar, gradualmente, até às 100.