As urgências dos hospitais do Alentejo confrontam-se com uma elevada procura, com o Hospital de Évora já «sobrelotado» e a registar «atrasos de horas» no atendimento aos doentes, escreve a agência Lusa segundo o presidente do conselho distrital de Évora da Ordem dos Médicos, José Correia.

Na origem da «sobrelotação» das urgências está, segundo José Correia, o encerramento da Consulta de Urgência do Centro de Saúde (CUCS), a par da «falta de camas» para internar os doentes. O presidente do conselho distrital da Ordem dos Médicos acusa os responsáveis hospitalares de terem reduzido o número de camas para «poupar dinheiro». O responsável denunciou ainda que «há doentes internados nos refeitórios dos serviços».

O director clínico do Hospital de Évora, Manuel Carvalho, refuta as críticas, mas reconhece que foi registado um «ligeiro aumento» no número dos episódios de urgência, em consequência do fecho do CUCS. Manuel Carvalho assegura que «as urgências não estão sobrelotadas, nem num caos» e nega a diminuição do número de camas no serviço que dá resposta ao internamento decidido nas urgências. «Neste momento, não temos dificuldades para internar doentes oriundos das urgências», afirmou, apesar de admitir que se registaram dificuldades há alguns dias.

O responsável explicou que foi «apenas reduzido o número de camas no departamento de cirurgia pelo facto de se terem tornado desnecessárias e não por motivos económicos» e reconheceu que «houve necessidade de abrir camas suplementares», tendo sido transformado um refeitório num quarto.

«Procura desnecessária» congestiona urgências de Beja

No Hospital de Beja, as urgências também «estão a passar por dificuldades», sobretudo devido ao «excesso de procura, muitas vezes inadequada e desnecessária», disse à Lusa o presidente do conselho distrital de Beja da Ordem dos Médicos, Pedro Vasconcelos. «Muitas das situações que chegam às urgências do Hospital de Beja não são casos de urgência».

A «falta de clínicos» no Hospital de Beja, por outro lado, também é «preocupante», disse Pedro Vasconcelos, referindo que as urgências são asseguradas «essencialmente à custa de médicos prestadores de serviços». «Tudo isto causa problemas e atrasos na fluidez do atendimento», disse, apontando a falta de camas no serviço de observação das urgências e nas enfermarias como outro dos problemas do Hospital de Beja.

No caso de Portalegre, o presidente do conselho distrital da Ordem dos Médicos, Jaime Azedo, também se queixou do «excesso de doentes» nas urgências, sobretudo idosos, e da «falta de médicos». «Os pacientes estão muito tempo internados nas urgências» e acumulam-se no serviço devido à «redução do número de camas», explicou.

Jaime Azevedo reconheceu que a Unidade Local de Saúde do Norte Alentejano, entidade gestora do hospital, está a «esforçar-se» para obter melhorias, embora ainda com «poucos resultados».

No Hospital do Litoral Alentejano (HLA), em Santiago do Cacém, o serviço de urgências médico-cirúrgicas é igualmente motivo de «algumas preocupações» para a administração, embora a situação se encontre «estabilizada». O «maior problema» da urgência da mais recente unidade hospitalar do Alentejo prende-se com as limitações arquitectónicas do edifício. «A concepção do que é hoje uma urgência não se adapta. Os circuitos não estão organizados. Existem, por exemplo, entradas diferentes para adultos e crianças, mas depois estas têm de passar entre os adultos nos circuitos internos», explicou a presidente do conselho de administração do HLA, Adelaide Belo.