A mononucleose infeciosa é vulgarmente conhecida como “doença do beijo”, já que é através da saliva que o vírus se transmite. Mas, “não é obrigatório” o contacto direto, informa a pediatra Graça Gonçalves.

A convidada do Diário da Manhã desta segunda-feira, explica que “os vírus continuam a viver mesmo fora do nosso organismo e, por isso, se ficarem partículas virais durante algum tempo, se a pessoa contactar com o sítio onde essas partículas virais estão, pode adquirir a doença”, ou seja, pode apanhar a “doença do beijo” através de tosse, espirros, talheres ou copos contaminados.

A “doença do beijo” atinge, principalmente, adolescentes e jovens adultos, mas pode manifestar-se também nas crianças. Este vírus da família do herpes acaba por ser uma “doença muito comum”, refere a pediatra, que “muitas vezes não dá aqueles sintomas típicos, [como] dor de garganta, febre alta ou nódulos no pescoço. Pode não acontecer esta sintomatologia e a doença passa despercebida”.

Graça Gonçalves acrescenta: “Outras vezes, é uma doença tão peculiar que vai imitar outras doenças, tornando o diagnóstico extremamente difícil”, exigindo, nesses casos, que sejam feitas “análises ao sangue”. E, “através das análises, de uma maneira geral, consegue-se chegar ao diagnóstico”. Graça Gonçalves dá um exemplo: por vezes, a mononucleose infeciosa “manifesta-se com uma falta de forças muito intensa, sem reação para nada. Pode ser o mais marcante andar ali uma ou duas semanas só com este sintoma e sem mais nada. Isto é igual a tanta coisa que é difícil fazer o diagnóstico”.

Uma vez na posse do diagnóstico, há pouco a fazer. “É um vírus, não há tratamento. Não há nada que fazer. É esperar calmamente e dar o maior conforto à criança que possamos”, esclarece a médica. Os mesmos conselhos são dados para o jovem adulto.  

No entanto, é preciso ter cuidados redobrados se o baço inchar, já que, nas crianças, pode ser “perigoso porque eles, às vezes, têm aquelas brincadeiras violentas que podem magoar o baço. O baço é um órgão muito sensível e se levar um traumatismo, pode romper”.