O administrador do Centro Hospitalar de Lisboa Norte (CHLN) considera que a falta de decisão judicial sobre a farmácia comercial no Hospital Santa Maria está a fazer com que a instituição perca receita e não concretize poupanças nesta área.

Em entrevista à agência Lusa, Carlos Martins lamentou que a providência cautelar, que a empresa Megalabirinto interpôs em outubro de 2013, após o CHLN tomar posse administrativamente daquele espaço, ainda não tenha tido uma decisão.

A tomada de posse deste estabelecimento seguiu-se à extinção do contrato com a farmácia «por falta de pagamento das rendas em atraso».

Esta farmácia de venda ao público, a funcionar no perímetro do Hospital de Santa Maria desde abril de 2009, nunca pagou uma única renda ao hospital, sendo a dívida superior a seis milhões de euros.

«Temos dois atrasos em termos de decisão judicial que são preocupantes: a forma extremamente lenta como está a decorrer o processo de recuperação da dívida dos sete milhões de euros que comprovadamente a Megalabirinto deve ao CHLN e a providência cautelar não ter tido qualquer desenvolvimento», disse.

Para o administrador, isto significa que a instituição «não pode avançar para nenhum dos planos» para aquele espaço.

«Nem avançar para um novo concurso para a gestão da farmácia comunitária, ou, em opção e se o mercado não reagisse a este concurso, destinar esse espaço para os serviços farmacêuticos» do CHLN.

Para Carlos Martins, o Centro Hospitalar está a ser «duplamente prejudicado».

«Nem receita de renda, nem poupança através de uma reorganização mais profunda dos serviços de farmácia hospitalar», sublinhou.

O CHLN terminou quarta-feira a primeira fase da reorganização dos serviços farmacêuticos, que visou «a uniformização dos sistemas informáticos na área da farmácia, a integração dos dados de prescrição dos doentes assistidos no Centro Hospitalar, o que permite um conhecimento integrado do histórico do seu perfil terapêutico, melhorando a segurança do doente».

Segundo Carlos Martins, isto significa que, «em qualquer serviço ¿ do Hospital de Santa Maria ou do Pulido Valente ¿ há uma informação única do doente, independentemente do local onde este é atendido, tratado ou internado».

«O projeto era um sonho adiado nos últimos anos e foi possível fazer dentro de um plano de reorganização dos serviços», frisou.