A psoríase atinge 125 milhões de pessoas no mundo, 200 mil em Portugal. No entanto, o desconhecimento das suas causas e formas de transmissão, leva à discriminação desses doentes.

No Dia Mundial da Psoríase, o Diário da Manhã, da TVI, desta quinta-feira, convidou o dermatologista Fernando Guerra, para explicar e desmistificar esta doença.  

Com uma manifestação física proeminente, com lesões na pele mais ou menos extensas, é o lado psicológico, aquele que não se vê, o que causa muitas dificuldades a um doente de psoríase. O médico refere que “existem tabelas para saber a extensão [das lesões na pele], mas também tabelas que têm a ver com a parte psicológica”.

Fernando Guerra dá um exemplo: “Um doente que tem uma doença que é estigmatizada porque as pessoas olham”, mas que “precise e ir para o sol - porque o sol faz-lhe bem -, não vai para o sol porque tem vergonha de se despir à frente das outras pessoas”.

A discriminação e a estigmatização são “um grande problema”, constata o médico, mesmo ao nível das relações laborais, como o caso de “uma professora que tem lesões a nível das mãos e que os alunos olham para as mãos e têm repulsa”.
 

O que é a psoríase?


Foto: Reuters


Luong Van Nam, vietnamita, na fotografia, tirada em 2012, aos 16 anos, é um exemplo de um portador de psoríase. Uma doença crónica que não escolhe país nem raça.

 “A psoríase é uma doença crónica da pele, não contagiosa, que pode surgir em qualquer idade e que afeta um a três por cento da população. O seu aspeto, extensão, evolução e gravidade são muito variáveis, caracterizando-se, geralmente, pelo aparecimento de lesões vermelhas, espessas e descamativas, que afetam preferencialmente os cotovelos, joelhos, região lombar e couro cabeludo”, segundo a Associação Portuguesa de Psoríase.

Fernando Guerra completa a noção dizendo que “a origem da psoríase ainda não é conhecida”, mas sabe-se que “é uma doença crónica de transmissão familiar”. De registar, no entanto, que se trata de uma “hereditariedade incompleta”, ou seja, “não é pelo pai ter, que o filho vai ter. Eventualmente, quem [sofre desta doença] tem alguém na família ou vai ter futuramente alguém” no seu seio familiar com psoríase.

Importa, todavia, destacar que é uma “doença benigna, não é uma doença que seja infeciosa, que se pegue”.

“A doença decorre consoante uma cascata de acontecimentos que têm a ver com a imunidade própria e que interrompendo essa cascata com determinados medicamentos consegue-se melhorar e não curar”. Fernando Guerra é otimista: “A psoríase por enquanto não tem cura, mas para a geração dos meus filhos e netos, eventualmente, já pode ter cura”.


Como tratar


“Hoje em dia considera-se que é uma doença autoimune. As pessoas têm uma alteração de imunidade em que a doença se desenvolve e, por isso, os tratamentos também estão baseados nessa supressão dessa autoimunidade para poder melhorar”.

Foto: Reuters


Fernando Guerra destaca “o tratamento biológico em que essa cascata é interrompida num dado nível” e que existe há 15 anos.  Mas há outros, consoante a gravidade da doença. Por exemplo, cerca de dez por cento dos doentes desenvolvem artrite psoriática, que se traduz por dor e deformidade, por vezes bastante debilitante, das articulações.