Portugal é o segundo país da Europa com a mais elevada taxa de mortalidade padronizada por pneumonia, colocando o país “mal na fotografia”, como reconheceu a diretora do Programa Nacional das Doenças Respiratórias. De um conjunto de 23 países europeus da OCDE, Portugal apenas é ultrapassado pela Eslováquia, que surge como o Estado com maior taxa de mortalidade por pneumonia.

No relatório da Direção-geral da Saúde , apresentado esta terça-feira em Lisboa, as pneumonias surgem como a principal causa de mortalidade respiratória. Apesar disto, abaixo dos 65 anos há evidência de uma redução da taxa padronizada de mortalidade de 23,5% de 2009 para 2013.

No conjunto, as doenças respiratórias são a quinta principal causa de internamento e a primeira causa de mortalidade intra-hospitalar. Quanto aos internamentos, a pneumonia foi responsável por 40 mil episódios e 74% dos casos são de pessoas com mais de 65 anos. Por comparação, a doença pulmonar obstrutiva crónica leva a cerca de nove mil internamentos num ano.

Para reduzir as taxas de mortalidade e internamentos por pneumonia, os responsáveis do Programa Nacional para as Doenças Respiratórias pretendem aumentar os níveis de vacinação contra a gripe, sobretudo nas pessoas com mais de 65 anos.

Apesar disso, a taxa de vacinação tem tido aumentos constantes, situando-se em 2015 já nos 65% nos idosos. Também o aumento da cobertura da vacina pneumocócica – que é esperada com a inclusão no Plano Nacional de Vacinação – deverá ter impactos na redução da mortalidade por pneumonia.

Quanto aos encargos com medicamentos, as doenças respiratórias – excluindo o cancro do pulmão – levaram a gastos de 213 milhões de euros em 2014, o que dá uma média superior a 580 mil euros por dia.

O relatório da DGS deteve-se ainda numa análise comparativa por regiões, concluindo que as Regiões Autónomas da Madeira e dos Açores apresentam “valores muito elevados” de mortalidade.

“A Região Autónoma da Madeira destaca-se pela negativa, com taxas muito elevadas de mortalidade. Também a Região Autónoma dos Açores se destacou em 2013, por ter sido a única região nacional onde se registou um aumento da taxa de mortalidade padronizada”, indica o documento.

A coordenadora do Pograma Nacional para as Doenças Respiratórias admite que não são completamente conhecidas as razões para estes valores mais elevados.

Contudo, Cristina Bárbara lembra que no universo populacional dos Açores e da Madeira um acréscimo ligeiro de óbitos aumenta logo de forma significativa as taxas de mortalidade.

Além disso, os Açores têm elevados níveis de tabagismo e de cancro do pulmão, logo é de crer que também tenham maior prevalência de problemas respiratórios.

Também presente na sessão de apresentação do relatório, o secretário de Estado Adjunto e da Saúde, Fernando Araújo, aconselha a que esta discrepância regional seja investigada para se apurarem as causas.