O Secretário de Estado da Saúde, Leal da Costa, foi questionado pelos jornalistas em relação aos gastos milionários realizados por algumas instituições de saúde na compra de plasma e da não utilização de plasma doado em Portugal. A informação foi avançada numa Grande Reportagem da TVI.

Leal da Costa diz que não viu a reportagem da TVI sobre o plasma português, mas avançou que o Governo já abriu um concurso para que o produto seja utilizado. Ou seja, aproveitado.

“Vamos lançar um concurso para permitir a utilização plena com fracionamento de plasma português. Nós desejamos que seja esse o caminho”, afirmou aos jornalistas.


Antes do Secretário de Estado da Saúde fez questão de frisar que foi este executivo o primeiro “a criar em dez 2014 o primeiro sistema de utilização por inativação de plasma português”.

A investigação TVI, intitulada “O negócio do plasma”, revelou que o país gasta milhões a comprar e desperdiça o plasma doado. Um bem escasso e muito valorizado. Não só desperdiça, como gasta para destruir esse plasma, pagando milhares de euros a empresas de resíduos hospitalares para o fazer.
 

Medida tardia

Entretanto, a Federação das Associações de Dadores de Sangue considera que a medida anunciada pelo Governo de lançar um concurso para aproveitamento do plasma só peca por ser tardia.

Em comunicado enviado às redações, a Federação acrescenta que só espera que a decisão não seja apenas fruto do incómodo causado pela reportagem da TVI ou por estarmos em período pré-eleitoral. 

Recorda ainda que o não aproveitamento do plasma português ao longo de mais de 30 anos custou ao erário público muitos milhões de euros e resultou muitas vezes em perseguições e processos judiciais aos dirigentes da federação dos dadores de sangue.