O secretário de Estado adjunto do ministro da Saúde manifestou-se esta quarta-feira preocupado com o reduzido número de doentes que participa em ensaios clínicos em Portugal, que não ultrapassa os mil por ano, o que considerou «manifestamente muito pouco».

Fernando Leal da Costa falava durante a III Conferência sobre Economia e Financiamento em Saúde, que decorre em Lisboa, durante a qual disse que, mais do que a redução de 33% dos ensaios clínicos em Portugal, o que o preocupa é o número de doentes recrutados.

«Grande parte dos doentes [que participam nos ensaios clínicos] sente a investigação clínica como uma experimentação em si própria e não como uma melhoria em si mesmo», disse, lamentando esse facto.

O governante, que se revelou confiante na aplicação da lei da investigação clínica, que entra em vigor a meio de junho, criticou ainda a morosidade do processo de aprovação desta legislação, para a elaboração da qual garante que começou a ter as «primeiras conversas» em 2011.

A importância da investigação clínica foi reforçada pelo cientista António Coutinho, para quem, «sem investigação, os hospitais privados vão perder os ricos do mercado e os públicos o turismo de saúde».

António Coutinho reconhece algumas melhorias nesta área, mas considera que «ainda estamos mal».

«E não é pelo número de publicações que lá vamos, até porque só não publica [numa revista científica] quem não escreve em inglês. Metade dos artigos publicados é irreprodutível», observou.

António Coutinho afirma-se um otimista à força em relação à investigação clínica: «Temos de ir por aí, não só pelos seus benefícios, mas porque não há outro caminho. Quando for altura de escolher, o utente vai optar pelo hospital que investiga.»