O Serviço Nacional de Saúde realizou no primeiro semestre deste ano mais 1,6% de cirurgias face ao mesmo período de 2013, mas a mediana do tempo de espera também cresceu 3,4%, o que equivale a mais três dias.

Segundo o relatório da atividade cirúrgica programada do primeiro semestre de 2014, havia mais de 179 mil utentes à espera de uma operação a 30 de junho deste ano, com uma mediana de tempo de espera de três meses.

O número de utentes a aguardar cirurgia aumentou 6,7% face ao período homólogo, mas em comparação com o final do ano de 2013 deu-se uma subida de apenas 1,9%.

No entanto, no caso das cirurgias a doentes com cancro, o tempo de espera desceu mais de 12% no primeiro semestre deste ano, em comparação com o período homólogo do ano anterior, com uma mediana de espera de 21 dias.

De acordo com o relatório houve uma «melhoria significativa» da atividade cirúrgica na área oncológica.

O número de doentes operados cresceu dois por cento (mais 457 utentes do que no mesmo período de 2013), enquanto se reduziu a mediana de tempo dos doentes em espera, bem como o número de pessoas que aguardam mais do que o tempo recomendado.

Ainda assim, quase 20% dos doentes a aguardar cirurgia a neoplasias malignas esperaram mais do que o tempo máximo de resposta garantido (TMRG).

Em comparação com o primeiro semestre de 2013, desceu 11,9% o número de inscritos para cirurgia oncológica que aguardaram mais do que o tempo máximo estabelecido.

As doenças malignas da próstata e da bexiga, da cabeça e do pescoço são as que mais ultrapassam o TMRG, com valores que andam entre os 21% e os 28% de utentes.

O cancro maligno de pele foi a área oncológica que no primeiro semestre deste ano maior produção cirúrgica teve, com 6.107 doentes operados.

As áreas com maior crescimento de atividade cirúrgica foram as do cancro, da cabeça e pescoço e as do colon e reto.

Já este ano o Ministério da Saúde tinha anunciado que iria apertar o controlo dos doentes oncológicos em espera para cirurgia, exigindo dos diretores clínicos justificação para os tempos máximos ultrapassados e encaminhando para a inspeção da saúde os casos sem justificação «razoável».

Esta foi definida como uma das prioridades para fazer face ao aumento do número de doentes oncológicos e respetivo aumento da atividade clínica nesta área em 2013.