A insegurança alimentar, indicador que mede a falta de acesso regular e permanente a alimentos de qualidade, afecta 24% das famílias no Algarve, revela um estudo hoje apresentado, baseado num universo de 384 agregados familiares. O mesmo estudo tira também a conclusão que 57% dos algarvios têm peso a mais, embora tenham classificado o seu estado de saúde como "razoável" (44%) ou bom (39%).

Dos 384 participantes n' O estado da alimentação no Algarve: resultados da avaliação regional do estudo de segurança alimentar, a maioria é responsável pela compra e confeção dos alimentos no seu agregado familiar. O nível de insegurança alimentar ligeiro que foi detetado revela que "existe uma preocupação ou incerteza quanto ao acesso aos alimentos no futuro ou à qualidade adequada dos alimentos", explica Ezequiel Pinto, um dos autores, aqui citado pela Lusa.

O estudo resulta de um inquérito conduzido este verão por uma equipa de nutricionistas, visando traçar um retrato das dificuldades que as famílias algarvias têm no acesso à alimentação, assim como avaliar o grau de adesão ao padrão alimentar da dieta mediterrânica, disse Artur Gregório, da associação de desenvolvimento e cidadania In Loco.

Dos inquiridos, 26% manifestaram preocupação pelo facto de os alimentos em casa poderem acabar antes que tivessem dinheiro para comprar mais, o que aconteceu em 6% das famílias, enquanto em 14% dos agregados houve a necessidade de consumir "apenas alguns alimentos que ainda tinham em casa, por terem ficado sem dinheiro", ilustrou.

O nutricionista, que dirige o curso de Dietética e Nutrição da Escola Superior de Saúde da Universidade do Algarve, explicou quais os fatores que aumentam os níveis de insegurança alimentar:

  • hábitos tabágicos
  • consumo de álcool
  • o facto de haver um elemento desempregado no agregado
  • má perceção do estado de saúde

A população algarvia está a afastar-se da dieta mediterrânica. [Apenas 24,7% revelou] boa adesão a este padrão alimentar, o que significa que há mais insegurança alimentar quando há menos adesão à dieta mediterrânica".

A maioria dos inquiridos são mulheres, acima dos 60 anos.

O estudo foi apresentado durante o primeiro dia da “Universidade Pensar Global, Agir Local”, organizada pela Associação In Loco em parceria com a Câmara de Loulé, e que este ano decorre sob o tema “Alimentação: o retrato da população”.

A equipa do Observatório de Segurança Alimentar do Algarve concluiu a primeira de fase dos trabalhos deste projeto-piloto com a aplicação "InfoFamília" – inquérito de avaliação do estado da insegurança alimentar -, e do Predimed – inquérito de avaliação da adesão ao padrão alimentar da Dieta Mediterrânica -, em todos os 16 municípios do Algarve.

O próximo passo do projeto é a distribuição, no primeiro trimestre de 2018, de um kit de sensibilização e educação alimentar, que inclui um vídeo com boas práticas, um manual para qualquer pessoa poder realizar ações desta natureza e um livro de receitas e truques para os agregados familiares.