Os doentes hipertensos na Madeira têm maior probabilidade de sofrer doenças cardiovasculares que os do continente, de acordo com um estudo sobre hipertensão arterial e medicina geral na região. Os dados revelaram ainda que o risco é maior para os madeirenses do que para os habitantes de Portugal continental, exceto no escalão de alto risco.

“Os doentes hipertensos da Madeira têm mais deslipidemia, têm mais diabetes e maiores lesões nos órgãos já atingidos pela presença da hipertensão. O risco de doença cardiovascular é muito maior nesse tipo de doentes”, afirmou Carvalho Rodrigues, médico cardiologista presidente eleito da Sociedade Portuguesa de Hipertensão, em entrevista à TVI.


O estudo, que estudo contou com 69 dos 141 médicos de medicina geral e familiar da região autónoma da Madeira, baseou-se em seguir os doentes com hipertensão que estavam medicados e cuja medicação não tinha sido alterada no último mês, medindo-lhes a tensão arterial duas vezes ao dia.

A investigação concluiu que os pacientes madeirenses “são doentes de mais alto risco mas que têm a tensão arterial muito mais bem controlada”.

Mas o facto não parece dever-se à localização geográfica da região.

Segundo o médico, os resultados parecem apontar para “uma utilização mais frequente de fármacos na Madeira”.

“A nossa convicção é que isto acontece [hipertensão mais controlada nos doentes de alto risco] porque se utilizam mais e melhor as associações de fármacos”.