Centenas de pessoas manifestaram-se, esta quarta-feira, em Loulé, contra a falta de meios humanos e físicos que tem afetado o Serviço de Urgência Básica (SUB) local nos últimos meses e em prol do funcionamento a 100% daquele serviço.

«Queremos as urgências a funcionar a 100%» ou «exigimos mais profissionais de saúde» foram algumas das frases escritas em cartolinas levadas em mãos pelas várias centenas de participantes.

Solange Rosado, 53 anos, contou à Lusa que não foi atendida no SUB de Loulé a 1 de maio, porque aquele serviço «não tinha médico, nem tinha enfermeiro». A utente acabou por ter de ir a um médico particular porque no Hospital de Faro o tempo de espera para a triagem era de sete a oito horas.

O presidente da Câmara de Loulé, Vítor Aleixo, juntou-se ao protesto e explicou à Lusa que as respostas que tem recebido por parte das entidades competentes sobre a gestão da SUB de Loulé são ambíguas e não afastam a preocupação com o funcionamento daquele serviço.

Vítor Aleixo contou que há algum tempo que a Câmara de Loulé tem disponibilizado consumíveis para a impressão de receitas médicas, viaturas para serviços médicos externos e postos de atendimento nas freguesias do concelho.

«A autarquia faz o que pode mas não tem, nem pode contratar médicos, enfermeiros e pessoal administrativo», comentou.

Durante a manifestação, a Administração Regional de Saúde (ARS) do Algarve assegurou, em comunicado, que o SUB de Loulé está a funcionar «normalmente» e conta com «o número de profissionais adequado e necessário».

A posição da ARS do Algarve surge depois de sindicatos, partidos políticos e utentes terem alertado para a falta de profissionais em determinados turnos no SUB de Loulé, situação que seria causada por um diferendo entre a ARS e o Centro Hospitalar do Algarve sobre a tutela e a responsabilidade de contratar profissionais para prestarem serviço nos Serviços de Urgência Básica.

No comunicado, a ARS Algarve refere que compreende a preocupação da população, mas reforça que «adotou todas as medidas necessárias para fazer face a eventuais carências de recursos humanos», e garante que «não existe qualquer motivo para apreensão por parte da população do concelho de Loulé».