O secretário regional da Saúde dos Açores garante que o encerramento das urgências em três centros de saúde de São Miguel entre a meia-noite e as 08:00, em vigor desde esta terça-feira, «correu dentro da normalidade».

«O encerramento procedeu-se a partir da meia-noite do dia 01 e os serviços de atendimento permanente urgente abriram novamente hoje às oito da manhã e as notícias que me foram transmitidas é que tudo correu dentro da normalidade», frisou Luís Cabral, à margem da assinatura de um protocolo entre a Ordem dos Enfermeiros e a Inspeção Regional de Saúde, em Angra do Heroísmo.

Os serviços de urgências dos centros de saúde da Ribeira Grande, Vila Franca do Campo e Nordeste, na ilha de São Miguel, passaram a encerrar entre as 00:00 e as 08:00, desde esta terça-feira, mantendo, no entanto, o internamento em regime de cuidados continuados.

Segundo Luís Cabral, as críticas que surgiram quanto à capacidade de internamento do hospital de Ponta Delgada não fazem sentido, tendo em conta que a região reforçou os cuidados continuados na ilha de São Miguel em 77 camas.

«Existiam, por exemplo, dez doentes internados no hospital de Ponta Delgada já há vários meses que não necessitavam propriamente de cuidados de saúde agudos, já eram doentes de cuidados continuados, e que por falta de capacidade de resposta continuavam internados, e ontem mesmo e hoje os restantes irão ser transferidos para essas novas camas de cuidados continuados», frisou, alegando que desta forma será reforçada a capacidade de internamento para situações agudas no hospital.

Por sua vez, o presidente da secção regional dos Açores da Ordem dos Enfermeiros, Tiago Lopes, adiantou que estas medidas carecem da «devida avaliação», que está a ser feita em colaboração com o sindicato dos enfermeiros.

«Iremos acompanhar e monitorizar esses encerramentos e saber qual é que é o impacto ao nível da acessibilidade da população açoriana aos cuidados de enfermagem», salientou.

Ordem dos Enfermeiros vai prestar «apoio técnico»

A Ordem dos Enfermeiros (OE) nos Açores assinou hoje um protocolo com vista à prestação de «apoio técnico» à Inspeção Regional da Saúde nos processos relativos a enfermeiros, mas garantiu que essa colaboração não gera conflito de interesses.

«Aquilo que queremos fazer com a Inspeção Regional de Saúde é trabalhar em colaboração nas atividades inspetivas, no apoio técnico e prestando a devida informação que a Ordem dos Enfermeiros possui relativamente àquilo que deve ser o exercício profissional dos enfermeiros, com segurança e com qualidade», frisou, em declarações aos jornalistas, após a assinatura do protocolo, o presidente da seção regional dos Açores da OE, Tiago Lopes.

O representante regional dos enfermeiros salientou, contudo, que a OE tem «um código deontológico para cumprir», que os obriga a manter «sigilo».

Também o inspetor regional da Saúde, Paulo Gomes, salientou que o acordo foi «bem regulamentado», pelo que não haverá «nenhum impedimento» na colaboração da OE.

«Este acordo não belisca a independência técnica de cada parte. Nada garante que pelo facto de estarmos em acordo sobre o acordo não possamos depois ter discordâncias sobre os casos concretos», frisou.

Segundo o secretário regional da Saúde, Luís Cabral, o papel da Ordem dos Enfermeiros vai passar não só pela «colaboração na identificação de situações que possam necessitar de uma atividade da Inspeção Regional de Saúde», mas também pela garantia da «capacidade técnica para a averiguação de processos em que estejam envolvidos enfermeiros».

Luís Cabral felicitou a iniciativa da Ordem, realçando que «há sempre tendência de os profissionais de saúde olharem para o serviço inspetivo da Secretaria Regional de Saúde como um adversário ou, pelo menos, com algum receio».