Os enfermeiros vão estender a greve regional, que hoje decorre em Lisboa e Vale do Tejo, ao Norte e Centro do país ainda durante este mês, anunciou o sindicato que agendou o protesto.

À porta do Hospital de São José, em Lisboa, uma das instituições “mais afetadas pela greve dos enfermeiros”, o dirigente do SEP José Carlos Martins disse aos jornalistas que a adesão no turno da noite em Lisboa, Santarém e Setúbal foi de 77,3 por cento e de 77,2 por cento no turno da manhã.

Ao nível das unidades de saúde, e em Lisboa, o Hospital Pulido Valente regista uma adesão de 41 por cento, o de São José 94 por cento e o de Santa Marta de 63,6 por cento.

No Hospital das Caldas da Rainha a adesão é de 83,8 por cento e de 83,5 por cento no Outão.
 

Esta adesão “significa e evidencia que os enfermeiros continuam a não a aceitar a enorme descriminação negativa que o Ministério da Saúde está a fazer aos enfermeiros”.


O sindicato contesta que o ministro da Saúde “retire” a estes profissionais “para custear Misericórdias, PPP’s [Parcerias Público-Privadas] e outros grupos profissionais”.

Nesse contexto, os enfermeiros questionam a tutela sobre se esta é a sua lógica de “equilíbrio orçamental”, já que é o argumento usado pelo ministério da Saúde como “justificação para protelar a revisão salarial dos enfermeiros”.
 

Segundo José Carlos Martins, “é inadmissível que o Ministério da Saúde não apresente uma contraproposta de revisão global das questões salariais, tal como o governo já apresentou para outros setores”.


Confrontado com um comunicado da Administração Central de Sistema da Saúde (ACSS), no qual a tutela se revela surpreendida com esta greve, “porque ao longo das várias reuniões de trabalho entre o Ministério da Saúde, Comissão Negociadora dos Sindicatos dos Enfermeiros (CNESE) e Federação Nacional dos Sindicatos dos Enfermeiros (FENSE), não foram evidenciados pontos de discordância insanáveis em matéria negocial”, José Carlos Martins afirmou que “a campanha eleitoral obriga a propaganda demagógica inadmissível”.
 

“Apresentámos uma contraproposta de revisão global dos salários a 28 de abril e o Ministério da Saúde ainda não apresentou nenhuma proposta”, disse.


Segundo José Carlos Martins, “na última reunião, a única questão de um lote de sete ou oito propostas que apresentámos, o Ministério da Saúde respondeu a uma”, no sentido de “reposicionar colegas, cerca de 13 mil jovens profissionais em Contrato Individual de Trabalho (CIT), na primeira posição da tabela salarial e sem faseamentos de dois ou três anos como, anteriormente tinha proposto”.

No entanto, o SEP quer “o pagamento imediato”.

O sindicato garante que “o diálogo não está quebrado”, até porque há reuniões marcadas para setembro, mas avança que, depois da greve de hoje em Lisboa, de quarta-feira no Alentejo e no Algarve na quinta-feira, será a vez das regiões do Norte e Centro.
 

“Depois desta greve de Lisboa e Vale do Tejo, Alentejo e Algarve, e caso o Ministério da Saúde continue sem avançar com nenhuma contraproposta, avançaremos com greves na região Norte e Centro, ainda em agosto”, disse.


Se o impasse prosseguir, adiantou, os enfermeiros não põem de parte uma nova greve nacional.

Sobre o impacto da greve nos doentes e familiares, José Carlos Martins referiu que estes “compreendem”, até porque sabem “que são os enfermeiros que estão sempre presentes”.