O Bastonário da Ordem dos Enfermeiros disse hoje ser «inconcebível» que um processo de contratação de profissionais para substituição demore um ano, tal como aconteceu no Centro Hospitalar do Porto.

O Governo, e o Ministério da Saúde, «têm de perceber de uma vez por todas que a contratação de enfermeiros, nomeadamente para substituições temporárias, tem de ser célere [e] não pode estar sujeita a processos burocráticos que demoram meses», criticou Germano Couto à margem de uma visita ao Centro Materno Infantil do Norte.

Para o bastonário, que divulgou terem hoje entrado «22 novos enfermeiros» no Centro Hospitalar do Porto, «é inconcebível que um processo de substituição demore oito, dez, 12 meses».

Em causa está um processo de contratação de enfermeiros para substituição no Centro Hospitalar do Porto pedido «há um ano atrás», tendo sido agora autorizado pela tutela a «contratação de cerca de 50 enfermeiros para fazer face aos cerca de 70 ausentes neste momento».

O bastonário explicou que agora «o centro hospitalar vai abrir uma bolsa [interna] para contratar os restantes 30 que faltam».

Por causa da falta de recursos humanos naquela unidade, cada enfermeiro está atualmente, em média, «a fazer um turno a mais por semana, que lhe é pago depois em tempo, caso contrário o hospital teria fechado muito mais camas que as que fechou até ao momento».

«Neste momento, o Centro Hospitalar tem, desde janeiro até ao final do mês de outubro, cerca de 1.300 horas em débito, o que é muito, e isso significa que os enfermeiros vão ter que gozar estas horas», salientou.

Segundo Germano Couto, há enfermeiros a trabalhar «15 dias sem uma folga» pelo que «mais dia, menos dia menos dia acontece o erro, e o erro tem consequências graves».

Considerando «lamentável» que se continue a «assistir à burocratização da saúde», o responsável acrescentou que a falta de recursos humanos «é transversal por todo o país», havendo situações «piores que o Centro Hospitalar do Porto», nomeadamente os hospitais Santa Maria e São Francisco Xavier.

Destacou que «o centro hospitalar do médio Tejo está a contratar enfermeiros a 510 euros por mês, mas pagam a uma empresa de subcontratação 1.300 euros», sendo este « estratagema» usado pela administração «porque a tutela impede a contratação».

A nível nacional disse que o número de enfermeiros em falta «é muito incerto» e que só depois da publicação em Diário da República, e aplicação, da norma para cálculo de dotações seguras aprovada pela Ordem será possível a sua quantificação.

A norma em causa «tem por base o sistema de classificação de doentes que foi aprovado e que está implementado desde 2005/2006 pelo Ministério da Saúde em cerca de 50 hospitais em todo o país», explicou.

«O número que falamos anteriormente, de cerca de 25 mil enfermeiros em falta, é tendo como referencial a OCDE e o número de enfermeiros por mil habitantes», realçou.