A rede nacional de cuidados continuados integrados assistiu perto de 130 mil utentes, em seis anos de existência.

De acordo com o relatório de implementação e monitorização da Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados (RNCCI), divulgado pela Administração Central do Sistema de Saúde (ACSS), o número de assistidos desde o início da rede, em 2006, foi de 129.780 utentes.

O relatório sublinha que «os utentes com idade superior a 65 anos têm representado cerca de 80% do total» de utentes da rede.

Tendo em conta que os censos de 2011 apontavam para a existência de quase dois milhões de pessoas com idade igual ou superior a 65 anos, o número de assistidos ficou muito aquém do total de potenciais utilizadores idosos.

O relatório, no entanto, aponta para um possível desconhecimento deste serviço por parte da população, já que o número total de referenciados, desde o início da RNCCI, é de 135.047 utentes, o que significa que a rede assistiu, até final de 2012, 96,1% dos referenciados.

O Algarve foi a região do país que deu resposta a maior percentagem da população, seguida pelo Alentejo, ao passo que a região de Lisboa e Vale do Tejo é a que apresenta menor cobertura populacional em lugares de internamento, reforçando a necessidade de um aumento do número de camas.

Entre 2011 e 2012, porém, foram criadas pouco mais do que 300 camas de cuidados continuados, uma quebra face à média anual de quase mil novas camas, existente desde a criação da rede.

Este ano ainda não foi criada nenhuma nova vaga de internamento, mas o Governo anunciou, no mês passado, a abertura para breve de 800 novas camas, o que implicará um investimento de seis milhões de euros, menos do que as 1.169 previstas inicialmente pelo ministro da Saúde.

Ao todo, foram criados nestes seis anos 5.911 lugares de internamento e gastos mais de 573 milhões de euros, oriundos do Ministério da Saúde (475 milhões) e do Minsitério da Solidariedade e da Segurança Social (98 milhões).

O relatório salienta contudo que a grande aposta da rede são as respostas de proximidade e os cuidados domiciliários, que representam 55% dos lugares disponíveis da RNCCI, num total de 7.183 lugares.

Assim, contando estes lugares com o número de camas (5.911), a RNCCI conta atualmente com 13.094 lugares totais.

No que respeita às atividades de formação, foram desenvolvidas a nível nacional, desde o início da rede, 77 ações, dirigidas a 14.088 participantes.

Um relatório da OCDE divulgado em junho deste ano indica que Portugal tem relativamente poucos trabalhadores com formação no cuidado a idosos, e que são poucas as pessoas de idade que beneficiam da prestação desses cuidados.

Também a Entidade Reguladora da Saúde concluiu, num relatório divulgado em março, que há falta de médicos e enfermeiros em unidades de internamento da RNCCI e que o rácio de camas por habitante, na maioria das regiões, é negativo.