A Sociedade Portuguesa de Transplantação (SPT) alertou esta sexta-feira para o risco do aumento do tráfico de órgãos com a crise de refugiados, lembrando que 10% dos transplantes vivos são oriundos de tráfico. Em Portugal há um caso por ano.

Falando na apresentação do 17º Dia Europeu da Doação de Órgãos, que se assinala sábado, o presidente da SPT, Fernando Macário, disse nos últimos anos foi detetado em média um caso de tráfico de órgãos por ano em Portugal.

Trata-se de casos de portugueses com dinheiro que vão a países como Filipinas, Paquistão, India ou China para comprar um órgão de que necessitam, explicou.

Regra geral, é o que se passa em todo o mundo: “pessoas ricas a comprar órgãos a miseráveis”.

Por isso, o número divulgado recentemente pela Organização Mundial da Saúde, e citado por Fernando Macário, de que 10% de todos os transplantes de dador vivo de rim em todo o mundo são oriundos do tráfico de órgãos.

Há também potenciais recetores em países que não fazem a transplantação, lembrou, exemplificando com o caso de um angolano que foi à China e depois apareceu em Portugal com uma complicação de saúde resultante do transplante.

Em diálise também é fácil detetar os casos, são “pessoas que saem de cá e aparecem transplantadas”.

“Lembro-me de dois casos: de um chinês que foi à China e comprou o rim a um condenado à morte e de um português que foi ao Paquistão”.

A pobreza extrema e a miséria propiciam este tipo de crime, afirmou, considerando por isso que a crise de refugiados poderá conduzir ao aumento do tráfico.

Fernando Macário recordou o problema detetado no Líbano, em que refugiados sírios eram coagidos a vender os órgãos.

“Às vezes a miséria é tão grande que as pessoas aceitam vender um rim. O elo fraco é sempre o dador. Este crime é como o da droga, não há escrúpulos”, afirmou.

O tráfico de órgãos será um dos temas em debate durante a cerimónia de comemoração do 17º Dia Europeu da Doação de Órgãos, no sábado.