Portugal tinha, em 2009, uma taxa de incidência de cancros superior ao padrão europeu e mundial, segundo o Registo Oncológico Nacional (ROR-Sul), que será hoje apresentado.

O documento inclui dados de incidência, sobrevivência e mortalidade de cancro em 2007, 2008 e 2009, nas populações de Lisboa e Vale do Tejo, Alentejo, Algarve e região autónoma da Madeira.

De acordo com o documento, a que a Lusa teve acesso, em 2009 registaram-se 22.565 novos casos de cancro (22.953 em 2008).

Em 2009, a taxa de incidência foi de 464,05 cancros por 100 mil habitantes, superior ao padrão europeu (339,78) e mundial (245,32).

Destacam-se no registo de 2009 - que abrange 50 por cento do território português e um total de 4,8 milhões de habitantes - os novos casos de cancro da mama (3075), da próstata (2358), do cólon (2360), reto (1184), estômago (1184) e pele (1045).

Na terça-feira, durante o simpósio sobre oncologia que decorreu no Hospital da Luz, no âmbito do Congresso Clínico Internacional Leaping Forward, a coordenadora do ROR-Sul alertou para o aumento dos casos de cancro do cólon em Portugal, que em 2030 serão quase o dobro dos registados em 2008.

Segundo Ana Miranda, o cancro do cólon consta do «top 10», ocupando a terceira posição, num «ranking» liderado pelo cancro da mama.

Entre os países da União Europeia ¿ numa lista em que não consta a Grécia por atualmente não dispor de registo oncológico -, Portugal ocupa o quarto lugar dos países com mais novos casos de cancro do cólon.

Em Portugal, a taxa de incidência deste carcinoma nos homens passou de 35,52 por cem mil habitantes em 1998 para 43,58 em 2009. Nas mulheres, o aumento foi de 22,86 por cem mil habitantes em 1998 para 25,64 em 2009.

Em 2030, o aumento dos casos vai prosseguir, sendo maior nos homens, que terão quase o dobro dos cancros do cólon do que os registados em 2008.

Em 2008, foram registados 1.277 novos casos de cancro do cólon nos homens, número que deverá ser de 2.385 em 2030. Nas mulheres, os 942 casos em 2008 deverá subir para 2.323 em 2030.

O cancro da mama continua a ser o que regista maior número de casos novos - 2.993 em 2009 -, sendo o que mais atinge as mulheres, segundo Ana Miranda.

A coordenadora do Registo Oncológico Nacional (ROR-Sul) destaca a «estabilidade» neste carcinoma, que passou de 85,85 casos por cem mil habitantes em 1998 para 96,98 em 2009.

O cancro da próstata, que lidera os carcinomas nos homens, baixou de 86,87 (por cem mil habitantes) em 1998 para 85,37 em 2009.

Ao nível do cancro na traqueia, brônquios e pulmão, Ana Miranda referiu que existiu uma certa estabilidade no período em análise (1998-2009), exceto para as mulheres.

Nas mulheres a incidência deste cancro quase duplicou: 6,86 por cem mil habitantes em 1998 para 12,46 em 2009.