Proteger a família das carraças sempre foi a preocupação de muitas pessoas com animais domésticos. Contudo, a febre da carraça transportada pelos cães ou pelos gatos é menos grave que a “nova” febre da carraça ou Lyme, que surge especialmente nesta estação do ano. A picada pode causar problemas de saúde graves, caso não seja imediatamente tratada.

A doença surge “devido a um tipo especial de carraça, que não tem nada a ver com a carraça que existe nos animais domésticos, que transporta dentro dela uma bactéria”, garantiu António Vilar, reumatologista, em entrevista à TVI.


A Borrelia é o microrganismo que provoca a Lyme e é inserida no corpo quando a carraça pica o hospedeiro. Este parasita pode encontrar-se em animais de grande porte, como javalis ou veados, mas também em mamíferos pequenos. “Investigadores da Universidade de Coimbra afirmaram que também podem estar alojadas em pássaros, como melros e piscos”, disse o especialista.

O ano passado foram diagnosticados cinco casos em Portugal, mas o número pode ser mais elevado, uma vez que “esta doença não é de notificação obrigatória”. Os médicos acreditam que há cerca de 30 novos casos por ano, “o que de qualquer das maneiras a torna uma doença pouco frequente”.

Apesar de rara, a patologia é fácil de detetar por qualquer dermatologista ou reumatologista, por causar manchas de grande diâmetro, que se podem desenvolver durante dias ou semanas e que se vão alastrando em redor da picada. Os sintomas podem surgir dias após a picada ou vários anos depois, se a bactéria estiver alojada no corpo do hospedeiro, mas adormecida.

“Os sintomas podem ser como os de uma doença banal, como infeções, febre, dores de cabeça, náuseas e fadiga e dores nas articulações. Pode vir mesmo acompanhado com formas de meningite, de encefalite ou paralisia facial”, disse António Vilar, revelando que esta se pode tornar numa doença com graves consequências se não for tratada a tempo.


A Lyme é curada através da administração de antibióticos e o tratamento tem uma taxa alta de sucesso. Os grupos de risco são “indivíduos com sistemas imunológicos deficientes que podem ter estes tipos de sintomas e surtos de artrite ao longo dos anos”, o que pode fazer com que ignorem os sinais.