Não sabe do seu boletim de vacinas e quer confirmar se tem tudo em dia? Provavelmente é algo que já lhe passou pela cabeça, tendo em conta os surtos de sarampo e de hepatite A que Portugal está a viver. 

A Direção-Geral da Saúde explica que os utentes que não sabem do seu boletim de vacinas podem seguir o rasto da sua atividade vacinal. Como? Consultando o centro de saúde onde as recebeu, que tem esse histórico.

Mesmo das pessoas mais velhas? 

Teresa Fernandes, da Direção de Serviços da Prevenção e Promoção da Saúde da DGS, que pertence à equipa de coordenação do Programa Nacional de Vacinação, disse à Lusa que cada centro de saúde tem o registo da vacinação dos utentes, inicialmente recolhido em papel e mais tarde em suporte informático.

E se tiver mudado de centro de saúde?

Nesse caso, a nova unidade deve solicitar àquela onde as vacinas foram administradas a informação sobre a atividade vacinal do utente.

O que fazer quanto ao sarampo?

21 pessoas infetadas com o vírus (Morbillivirus measles) e uma morte confirmada, de uma jovem de 17 anos não vacinada. Teresa Fernandes esclareceu que as pessoas que nasceram antes de 1970 são consideradas inócuas, pois tiveram sarampo ou contacto com a doença.

Os nascidos após 1970, e para os casos de utentes que não tiveram a doença e não receberam ainda a vacina, é recomendada a vacinação, adiantou Teresa Fernandes, que pertence à equipa de coordenação do Programa Nacional de Vacinação.

Que dados constam no boletim?

O Boletim Individual de Saúde – Registo de Vacinações, conhecido como boletim de vacinas, assinala todas as vacinas administradas desde o nascimento da pessoa.

Na altura do nascimento de uma criança é entregue aos pais juntamente com o Boletim de Saúde Infantil e Juvenil que se destina ao registo dos factos mais importantes relacionados com a saúde da criança e do jovem.

Até ao final do ano, os boletins de vacinas vão passar a ser digitais para a globalidade da população, o que permitirá o registo eletrónico e possibilitará a qualquer médico aceder à vacinação de um utente em todo o Serviço Nacional de Saúde (SNS).

Taxa de vacinação em Portugal

Portugal chegou a ter uma taxa de vacinação superior a 95%. Hoje em dia, será inferior, por causa dos pais que optam por não vacinar os seus filhos. O principal argumento que usam é que as vacinas ‘mexem’ com a imunidade das crianças. Coloca-se a pergunta: Devem os pais ser responsabilizados por não vacinar os filhos? Há uma petição a circular na Internet para defender a vacinação obrigatória.

A doença é altamente contagiosa, geralmente benigna mas que pode desencadear complicações e até ser fatal. Pode ser prevenida pela vacinação, que em Portugal é gratuita.

Desde janeiro, o país já registou mais casos de sarampo do que em dez anos. Entre 2006 e 2014 foram registados 19 casos. A doença estava erradicada em Portugal desde o ano passado. 

O diretor-geral, Francisco George, admitiu já que a hipótese de baixar a idade da primeira vacina está a ser estudada.

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