A diretora-geral da Saúde garantiu que a rede de frio que conserva as vacinas nos pontos de vacinação é “robusta” e “de confiança” e que a existirem incidentes são pontuais e resolvidos de imediato.

Em declarações à agência Lusa, Graça Freitas refutou desta forma o cenário de desperdício traçado terça-feira pela bastonária da Ordem dos Enfermeiros na comissão parlamentar de Saúde.

Ana Rita Cavaco denunciou o desperdício de centenas de vacinas devido a quebras de energia que desligam os frigoríficos e deu ainda conta de ruturas no abastecimento destes fármacos em várias unidades do país.

Segundo a bastonária, os frigoríficos das unidades de saúde não dispõem de UPS (fonte de alimentação ininterrupta) que os mantenha a funcionar em caso de quebra na rede de energia.

Por esta razão, e tendo em conta que esta situação acontece frequentemente, sobretudo aos fins de semana, são deitados ao lixo centenas de vacinas, desperdiçando milhares de euros.

“Em geral é uma rede robusta, de confiança. Os frigoríficos têm monitorização da temperatura”, afirmou Graça Freitas.

A diretora-geral da Saúde sublinhou ainda que em Portugal já quase não se registam falhas elétricas, ao contrário do que acontecia no passado.

“Felizmente também já não acontece e, quando acontece, é por muito pouco tempo e os frigoríficos têm controlo de temperaturas, têm uma monitorização controlada”, acrescentou.

Segundo Graça Freitas, “quando acontece uma coisa dessas num centro de saúde, ou num ponto de vacinação, as enfermeiras ligam para a Administração Regional da Saúde (ARS) e fazem uma avaliação da situação”.

A autoridade da saúde em Portugal admite que, “excecionalmente e em nome da segurança”, se inutilizem vacinas, se isso se revelar necessário, mas sublinhou que “não existem grandes quantidades de vacinação, porque há centenas de pontos para aproximação da localização”.

Para Graça Freitas, os casos que possam existir são “pontuais” e resolvidos de imediato.

“Se assim não fosse, nós tínhamos reações adversas, que não temos, e falhas nas vacinas, que não temos, porque não temos as doenças, e não tínhamos as taxas de cobertura que temos”, disse.

“Há que distinguir totalmente o que é a normalidade, o que é uma rede organizada nos pontos de vacinação gerida por enfermeiros e o que são incidentes pontuais de fácil resolução que não têm implicações para a segurança do PNV [Plano Nacional de Vacinação]”, concluiu.