O patriarca latino de Jerusalém defendeu esta terça-feira, no Santuário de Fátima, a «unidade da família», considerando que esta é «baseada no matrimónio indissolúvel entre um homem e uma mulher», numa homília em que tornou a abordar o Médio Oriente.

«Devemos pensar na unidade da família, da família internacional - composta pelas nações e povos do mundo ¿ e também da família eclesial, na bela diversidade das suas vocações, mas, e sobretudo, pensemos e trabalhemos pela família humana», afirma Fouad Twal na homília da missa que encerra a peregrinação internacional aniversária àquele templo.

A propósito do Sínodo dos Bispos, convocado pelo papa Francisco, para outubro, em Roma, Fouad Twal refere que a família é «baseada no matrimónio indissolúvel entre um homem e uma mulher».

Fouad Twal aponta como exemplo «a riqueza da família no Oriente», que «pode servir, em certo aspeto, de estímulo a muitas graves realidades que se vivem no Ocidente», notando que «o amor e os laços familiares que se experienciam nos lares no Oriente são muito fortes».

«Tanto assim é que os lares da terceira idade não têm utentes, porque as famílias não querem deixar os mais idosos. Famílias numerosas, devoção mariana com um resultado positivo de muitas vocações sacerdotais», lê-se na homília, parte da qual lida pelo vice-reitor do santuário, padre Emanuel Silva.

O patriarca latino de Jerusalém lembrou, de novo, a situação no Médio Oriente e a viagem do papa Francisco à Terra Santa este mês, referindo que «há muitos problemas no mundo e, particularmente», nesta região. «Graves problemas políticos ¿ sistemas e governos inteiros que não conseguem restaurar a continuidade e a serena convivência - os fanatismos religiosos, mas também de alguns grupos islamitas ou de alguns grupos de judeus extremistas», adianta.

Lembrando os «check-points militares israelitas, que impedem a livre circulação dos habitantes árabes da Terra Santa e do mundo árabe para os seus lugares de culto e para os lugares onde vivem os seus familiares», o patriarca refere as «centenas de milhares de refugiados, gente que perdeu tudo, casa, veículos, trabalho, terra, a sua dignidade».

«Guerra aqui e ali e rumores de guerra e greves por toda a Europa», afirma Fouad Twal, admitindo não conhecer a resposta a estes problemas, mas que se pode «rezar pela paz e trabalhar pela justiça e pela dignidade do homem».

Para o patriarca, «a justiça é fundamento natural da paz e a paz é justa ou não é paz verdadeira» e «se se sacrifica a justiça e a dignidade do homem, em busca de segurança», perde-se «as duas coisas, a paz e a segurança».

Segundo dados do santuário, concelebram a missa, que termina com a procissão do adeus, 29 bispos e 420 padres, tendo-se inscrito nos serviços da instituição 153 grupos de 27 países.