A estudante de 16 anos eleita para gerir 10.000 euros que a Câmara da Feira reservou para o projeto «Jovem Autarca» propôs-se aplicá-los na atribuição de prémios de mérito aos melhores alunos locais e em apoios aos carenciados.

Sofia Pais, estudante do 10.º ano de Economia, tem assim oportunidade de partilhar a gestão do efetivo executivo municipal durante um ano, na sequência do processo eleitoral que envolveu nove escolas do concelho e que, após o devido de período de campanha, levou mais de 600 jovens às urnas.

«Estou muito feliz por nos terem dado esta oportunidade«, declarou Sofia Pais no início da sua primeira reunião de trabalho com o Executivo. «São apenas 10.000 euros, mas são para nós», acrescentou, referindo-se ao facto de o orçamento disponível se destinar a iniciativas que tenham os próprios jovens como público-alvo.

A jovem aluna da Escola Secundária da Feira está confiante de que a sua equipa irá, ao longo deste ano de mandato, «desenvolver um trabalho excelente» e anuncia como prioridade desse desempenho «as necessidades dos jovens» do concelho.

Nesse trabalho contará com o apoio de Tiago Belinha, o estudante de 15 anos do curso de Humanidades da Escola EB 2, 3 e Secundária Coelho e Castro, de Fiães, que foi o segundo candidato mais votado no processo, e terá também a parceria de Rafaela Silva, de 14 anos, que frequenta o 9.º ano da Escola EB 2 e 3 da Corga de Lobão.

A gestão dos três eleitos contará ainda com o desempenho de outros 17 conselheiros, que foram os restantes concorrentes ao cargo de Jovem Autarca.

Emídio Sousa, presidente da Câmara Municipal, elogiou na mesma ocasião o mérito das propostas apresentadas por todos os cabeça-de-lista. 

«Às vezes não valorizamos estes jovens, mesmo quando são os nossos filhos, porque achamos que eles são sempre crianças, mas fiquei maravilhado com as reflexões que eles fizeram sobre os problemas da nossa sociedade.»


Na receção aos jovens autarcas, Emídio Sousa deixou depois uma recomendação com vista à eventual carreira política para a qual já lhes reconhece potencial: «Temos que ser contidos nas promessas, porque os recursos são de todos e escassos».

Embora inicialmente a autarquia tenha anunciado a possibilidade de alargar o orçamento disponível para a equipa eleita, consoante a pertinência das propostas apresentadas, esta quarta-feira o presidente da Câmara mostrou-se mais cauteloso.

«Se começarmos logo a abrir a porta ao aumento do orçamento, estamos logo a falhar o nosso objetivo inicial», explica Emídio Sousa, referindo-se à missão do projeto de ajudar à recuperação da credibilidade dos políticos e a um maior respeito pela sua atividade.