O Sindicatos dos Enfermeiros da Madeira publicou esta segunda-feira um pré-aviso de greve na região para os dias 2 e 3 de novembro, reivindicando a harmonização salarial dos profissionais contratados neste arquipélago.

“É inadmissível que, na sequência do acordo alcançado com o Ministério da Saúde no passado dia 29 de setembro, a Secretaria Regional da Saúde e o Serviço Regional de Saúde da Madeira (SESARAM) teimem em manter a crónica situação de discriminação salarial entre enfermeiros”, informou esta estrutura social em comunicado.


No dia 9 de outubro, o sindicato reuniu com os responsáveis do SESARAM para debater a situação, acabando por recusar a proposta de só haver esta harmonização salarial na região a partir de janeiro de 2016 para os enfermeiros com contrato individual de trabalho.

Na ocasião, o dirigente sindical, Juan Carvalho, explicou que, de “1.480 enfermeiros que estão ao serviço do SESARAM, 570 estão em contrato individual, estão a ganhar menos 180 euros que os colegas da função pública”, uma situação que considerou “injusta”, pois são profissionais “com o mesmo conhecimento, as mesmas competências, no mesmo serviço e a fazerem as mesmas coisas”.

Também anunciou que os enfermeiros se iriam reunir para decidir as medidas a adotar, acabando o sindicato por anunciar hoje uma greve de dois dias.

“Exige-se a melhoria das condições de trabalho dos enfermeiros, com vista a potenciar a qualidade e a segurança dos cuidados de enfermagem prestados, valorizando o trabalho e a profissão”, adianta o sindicato, que defende, também, a “admissão de mais enfermeiros” no arquipélago.

É defendido, ainda, o “cumprimento e o respeito das regras na elaboração dos horários” e a reposição do valor das horas suplementares, a implementação do enfermeiro de família e o reposicionamento salarial dos profissionais tendo em conta o seu percurso e competências desenvolvidas.

A presidente do SESARAM, Lígia Correia, disse que a proposta de harmonização salarial foi apresentada para produzir efeitos a partir de 2016, porque era a “altura em que o serviço tinha condições” de implementar a medida, salientando que, para corresponder às pretensões do sindicato, é necessário “ultrapassar alguns constrangimentos”, visto que a região ainda está condicionada pelas exigências do programa de ajustamento.