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Roupas de marca têm substâncias tóxicas

Greenpeace acusa Adidas, Calvin Klein, H&M, Lacoste e Ralph Lauren, entre outras

Por: tvi24 / CP  |  23- 8- 2011  10: 15

(arquivo)

Vestígios de substâncias químicas tóxicas, susceptíveis de afectar os órgãos reprodutivos de seres vivos, foram detectados em produtos de catorze grandes fabricantes de vestuário, anunciou a Greenpeace.

Entre as marcas colocadas em causa por esta organização não-governamental (ONG) de defesa do ambiente figuram a Adidas, a Uniqlo, a Calvin Klein, a Li Ning, a H&M, a Abercrombie & Fitch, a Lacoste, a Converse e a Ralph Lauren.

A Greenpeace comprou em 18 países várias peças de vestuário destas marcas, fabricadas na China, no Vietname, na Malásia e nas Filipinas e posteriormente submeteu os têxteis para análise.

«Éthoxylates de nonylphénol (NPE) foram detectados em dois terços destas amostras», explicou numa conferência de imprensa em Pequim Li Yifang, durante a apresentação do relatório «Dirty Laundry 2 (Roupa suja 2)».

Os NPE são produtos químicos frequentemente utilizados como detergentes em numerosos em processos industriais e na produção de têxteis naturais e sintéticos. Derramados nos esgotos, decompõem-se em nonylphénol (NP), um subproduto muito tóxico.

«O nonylphénol é um perturbador hormonal», sublinhou Li Yifang, precisando que a substância pode contaminar a cadeia alimentar e pode acumular-se nos organismos vivos, ameaçando a fertilidade, o sistema de reprodução e o crescimento.

«Não é apenas um problema para os países em desenvolvimento, onde são fabricados os têxteis. Como quantidades residuais de NPE são libertadas quando o vestuário é lavado, os produtos são derramados em países onde o seu uso é proibido», insistiu Li Yifang.

No mês passado, a Greenpeace tornou público o «Dirty Laundry (Roupa Suja)», um relatório que mostrou como os fornecedores das grandes marcas têxteis poluem a água de certos rios chineses com as suas descargas químicas.

Na sequência desta publicação, as marcas Puma e Nike comprometeram-se a eliminar dos seus processos de fabrico qualquer substância química tóxica até 2020.

Em contrapartida, a Adidas limitou-se «a um comunicado vago, sem compromisso da sua parte», indicou Li Yifang.

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