O maior assalto de sempre a instalações militares portuguesas “rendeu” material de guerra que poderá ir parar ao mercado negro internacional.

Segundo fontes policiais avançaram ao Diário de Notícias, esta quinta-feira, em Tancos, foram roubados 44 lança-granadas e quatro engenhos explosivos “prontos a detonar”.

Foram ainda roubadas 120 granadas ofensivas, 1.500 munições de calibre 9 milímetros e 20 granadas de gás lacrimogéneo.

Em comunicado, na tarde desta sexta-feira, o Exército confirma o furto e enumera uma série de material de guerra em falta nos paióis, incluindo "granadas foguete anticarro" e "material diverso de sapadores".

Para além das granadas de mão ofensivas e das munições de 9mm, foram também detetadas as faltas de “granadas foguete anticarro”, granadas de mão de gás lacrimogéneo, explosivos e material diverso de sapadores como bobines de arame, disparadores e iniciadores", refere o comunicado do Exército.

O comunicado esclarece ainda que "os trabalhos de contagem de materiais foram elaborados pelo Exército na presença da Polícia Judiciária Militar, sendo, portanto, do conhecimento das autoridades competentes e da tutela". Afirma-se, contudo, que não serão divulgadas as quantidades exatas do material furtado "para não investigar as investigações em curso".

O caso já está a ser investigado pela Polícia Judiciária Militar.

Paióis quase sem vigilância

No furto de material de guerra guardado em Tancos, segundo o que a TVI apurou, os assaltantes terão furado a rede que cerca o terreno dos Paióis Nacionais de Tancos (PNT). A segurança faz-se apenas por rondas aleatórias. No local, não há videovigilância e as torres de vigia foram abandonadas, algo que o comunicado do Exército vem confirmar.

No que respeita a medidas de segurança eletrónica, esclarece-se que o sistema de vídeo vigilância, cuja cobertura é apenas parcial para uma área do PNT onde estariam os materiais mais relevantes, encontra-se inoperacional"; refere o comunicado~, adiantando que a Lei de Programação Militar "previa a disponibilização de verbas em 2018" para a "implementação de vigilância e controlo de acessos eletrónico".

Quanto às redes que circundam Tancos, uma interior e outra exterior, "considerando as necessidades de renovação causadas pelos anos da rede exterior, o Exército tinha já iniciado os procedimentos legais para a adjudicação da obra, de forma faseada e com verbas da Lei de Programação Militar".

Sucede que, até agora, apenas uma parte da rede exterior, a oeste, tinha sido renovada. A reparação da restante vedação esteve três meses a aguardar despacho do ministro, como confirma o Exército.

A adjudicação do restante perímetro foi solicitada pelo Exército a 8 de março de 2017 e, tendo recebido aprovação de SExa o Ministro da Defesa Nacional (por seu despacho de 5 de junho, publicado no DR de 30JUN), foi publicado em Diário da República em 19 de junho de 2017 (DR 116)", refere o comunicado.