A associação ecologista Quercus elegeu a poluição no rio Tejo como um dos piores factos ambientais de 2015 e a legislação que penaliza o consumo de sacos de plástico como um dos melhores.

A lista foi hoje divulgada, em comunicado, com a Quercus a esperar, nas perspetivas ambientais para 2016, que os municípios optem mais por métodos não químicos, alternativos aos herbicidas, para combater plantas infestantes e que o Estado invista mais na educação e sensibilização ambiental para as áreas protegidas.

A associação alerta para os "recorrentes episódios de poluição" no rio Tejo, que fazem com que se "apresente, ano após ano, mais degradado e ameaçado", tendo sido "detetadas barreiras que impedem a migração" de peixes.

A lista de piores factos ambientais engloba as metas de reciclagem de lixo, o aumento de eucaliptais "à custa sobretudo da conversão de pinhais-bravos", a fraude nas emissões de gases nos veículos a gasóleo do grupo Volkswagen, os incêndios florestais, a falta de alimentos para aves necrófagas, o Parque Eólico da Torre de Moncorvo, projetado para uma zona de proteção, e o envenenamento ilegal de aves em perigo de extinção, como o abutre-preto e o abutre-do-Egito.

A organização considera ainda como negativo, em 2015, o regime extraordinário de regularização da atividade de estabelecimentos e explorações sem licença, "em geral empresas altamente poluidoras ou negligentes no cumprimento das normas ambientais", e o uso doméstico e agrícola, em Portugal, de glifosato, um herbicida que pode causar cancro.

Para a associação ambientalista, as metas estabelecidas para a reciclagem de lixo urbano "são absurdas", uma vez que, apontou, as regiões do interior estão obrigadas a reciclar 80% dos resíduos, em 2020, enquanto as cidades de Lisboa e Porto 42% e 35%.

Na lista de melhores factos ambientais de 2015 incluem-se a recuperação, em Portugal, de populações de animais que estiveram extintas, como a águia-imperial-ibérica e o lince-ibérico, o nascimento, na zona do Ribatejo, de vários movimentos cívicos, nomeadamente em defesa do rio Almonda, a legislação sobre fertilizantes produzidos com lixo biodegradável, o acordo climático de Paris e a criação de equipas caninas da GNR para deteção de venenos em zonas protegidas, como o Vale do Guadiana e o Tejo Internacional.

Para 2016, a Quercus espera que o governo português "tenha uma voz ativa" junto do governo espanhol, para que a central nuclear de Almaraz "encerre definitivamente a sua atividade" e sejam criadas guias eletrónicas de acompanhamento de resíduos, para "ajudar na fiscalização e no registo adequado das operações de gestão" do lixo produzido.