A mãe das duas meninas que caíram ao rio na zona de Caxias levou as filhas duas vezes ao hospital, apurou a TVI

Primeiro, a 17 de novembro, dirigiu-se ao hospital Amadora-Sintra, o que deu origem a uma comunicação ao Tribunal de Sintra, por parte da unidade hospitalar, e à abertura de um processo. Uma semana depois, a 24 de novembro, na mesma altura em que apresentou queixa na PSP, dirigiu-se ao Hospital D. Estefânia. Também desta vez, perante as duas situações, foi determinada a abertura de um inquérito. Os dois processos acabaram por ser juntos num único, concentrado na comarca de Sintra. 

Os dois inquéritos acabaram por ser enviados para a Polícia Judiciária para investigação, a pedido do Ministério Público (MP). A TVI sabe ainda que a investigação foi remetida para o MP do Tribunal de Sintra, com a eventual sugestão de medidas de coação a aplicar ao suspeito.

Aquando da denúncia das suspeitas de abuso sexual, a TVI também apurou que a mãe terá relatado que “viu” práticas suspeitas na filha mais nova, de 19 meses, por parte do pai, e que suspeitava que este tivesse feito o mesmo à filha mais velha, de quatro anos.

Soube-se, entretanto, que a autópsia ao corpo da bebé de 19 meses já foi realizada e o corpo libertado para que seja possível à família realizar o funeral.

Caxias: o que sabemos

Primeira ida ao hospital Amadora-Sintra, a 17 de novembro. É feita uma comunicação ao Tribunal de Sintra e aberto um primeiro inquérito.

A 24 de novembro é feita a participação na PSP e regista-se outra ida, da mãe com as menores, ao Hospital D. Estefânia. Nasce o segundo inquérito. Queixa por violência doméstica e suspeitas de abuso sexual.

Na mesma altura, o caso é sinalizado à Comissão de Proteção de Crianças e Jovens (CPCJ) da Amadora que perante os “contornos da situação”, faz seguir a informação de “imediato” e com “caráter de urgência” para o Ministério Público.

A Polícia Judiciária investiga o caso, após pedido do Ministério Público. Que nos primeiros dias de fevereiro remete o processo para o Tribunal de Sintra.

Na altura das queixas, a mãe vivia em Rio de Mouro.

Segundo a agência Lusa, que cita uma fonte da PSP, a mulher apresentava um quadro acentuado “de depressão” alegadamente provocado pela situação familiar.

A Procuradoria-Geral da República (PGR) também já veio confirmar que em finais de novembro, após a queixa na PSP e uma comunicação hospitalar, “foi determinada a abertura de um inquérito” que se encontra “em segredo de justiça”.

No decorrer deste inquérito terá sido proposto à denunciante a teleassistência e fosse elaborado um plano de segurança.

Recorde-se que a mãe, de 37 anos, já não residia com o pai das meninas. Estavam separados e corria na justiça um divórcio litigioso.

Paralelamente, na sequência de uma comunicação da Comissão de Proteção de Crianças e Jovens (CPCJ), o Ministério Público requereu, a 2 de dezembro de 2015, a abertura do processo judicial de promoção e de proteção a favor das duas crianças.

A tragédia acontece segunda-feira, dia 15 de fevereiro. Uma testemunha ocular diz que viu uma mulher a sair da água, em estado de pânico e em avançado estado de hipotermia, a afirmar que as suas duas filhas estavam dentro de água, na zona da praia de Caxias, em Oeiras. É dado o alerta.

Cerca de 40 minutos depois é encontrado o corpo de uma bebé de 19 meses. A menina de 4 anos está dada como desparecida.

A mãe foi, inicialmente, levada para o Hospital Francisco Xavier e depois transferida para a ala psiquiátrica do Hospital de Santa Maria.

No carro em que mãe e filhas se dirigiram para a praia, terá sido encontrada uma carta de despedida inacabada. Até ser feita uma análise de caligrafia não é possível garantir que foi escrita pela mãe das menores.

Certo é que o incidente da morte das crianças origina uma nova investigação e o Ministério Público abre um inquérito ao caso que envolve a morte das crianças. Depois de ter alta hospitalar, a mãe irá ser colocada sob custódia policial e ouvida pelas autoridades.