Os alunos do quinto e oitavo anos estão com dificuldades nas áreas de Ciências Naturais e Físico-Química. Já os do segundo ano, revelaram essencialmente dificuldades na Gramática e na Escrita. São os resultados das provas de aferição dos alunos do básico e não são animadores.

Cerca de 95 mil alunos do 2º ano - que se estrearam nestas lides - e mais de 100 mil do 5º e 8º anos realizaram as provas de aferição em maio e junho.

De acordo com os resultados hoje divulgados (já com o novo ano letivo em andamento) nas provas de Ciências Naturais e Fisico-Química do 8º ano, mais de 80% dos estudantes revelaram dificuldades nas respostas ou não conseguiram dar uma resposta apropriada. Mais: 70% têm dificuldades na Gramática e 67% na Escrita.

Quanto aos alunos do 5º ano, 50% revelaram dificuldades na produção das respostas na prova de História e Geografia de portugal e ainda nas de Matemática e Ciências Naturais.

A disciplina de Ciências Naturais e Físico-Química (8.º ano), a par de Matemática e Ciências Naturais (5.º ano), é aquela que mostra percentagens mais baixas em qualquer um dos níveis, com valores não muito desiguais mas abaixo dos 50% (situando-se entre os 33,4% ‒ nível superior, e 38,9 ‒ nível médio).

No que respeita ao 2º ano, os resultados são considerados menos problemáticos, mas ainda assim o ministério da Educação assinala que cerca de 60% dos alunos revelaram dificuldades no domínio da gramática e 70% mostraram ter dificuldades na elaboração do texto.

Pela positiva é destacado que nas áreas disciplinares sujeitas a uma avaliação com provas práticas os desempenhos são globalmente bem conseguidos: mais de 80% dos alunos conseguem desempenhos dentro do esperado, com exceção dos domínios Expressão e Educação Musical e Jogos Infantis, onde aquela percentagem se situa nos 60 por cento.

Metade ou mais de metade dos alunos do 2.º ano de escolaridade conseguiram responder de forma adequada (ou com falhas pontuais) em domínios como a Compreensão do Oral e Leitura e Iniciação à Educação Literária (na disciplina de Português), em todos os domínios da disciplina de Matemática e em Estudo do meio nos domínios “À descoberta de si mesmo” e “À descoberta dos outros e das instituições”.

E agora?

Perante estes dados, o ministério liderado por Tiago Brandão Rodrigues vai avançar com um conjunto de iniciativas que passam por dar mais formação aos professores, para assim combater as fragilidades detetadas em provas de aferição.

Ninguém pode ficar tranquilo quando tem um conjunto alargado de alunos que não aprende com qualidade"

O secretário de Estado da Educação, João Costa disse aos jornalistas que será feito um estudo do impacto dos projetos dirigidos ao desenvolvimento da leitura e da escrita nos 2.º e 8.º ano, com o alargamento da formação de professores do 1.º ciclo, com a atualização e a reedição dos materiais produzidos pelo Programa Nacional do Ensino do Português.

No domínio da Matemática, e para os 2.º e 5º anos, a tutela vai:

  • acompanhar as escolas com desempenhos mais frágeis
  • alargar a formação de professores do 1.º ciclo
  • criar uma equipa de acompanhamento do currículo nesta área específica
  • atualizar e reeditar materiais de apoio

Em matéria de expressões artísticas, no 2.º ano de escolaridade, o secretário de Estado anunciou a expansão do Programa de Educação Estética e Artística (DGE-PEEA), nomeadamente na sua vertente de formação docente na área da educação artística, assim como o desenvolvimento de projetos de parceria entre o Ministério da Educação e o Ministério da Cultura, tais como o alargamento do projeto-piloto “Residências Artísticas”.

No que se refere à História e Geografia de Portugal no 5º ano, os resultados das provas revelam a necessidade de monitorizar as aprendizagens essenciais, e no que se refere às Ciências Naturais no 5.º ano e Ciências Naturais e Físico-Química do 8.º ano o Ministério da Educação anuncia o reinvestimento no ensino experimental, nomeadamente através dos Clubes Ciência Viva.

Provas online na mira

Ainda a propósito das provas de aferição, em junho soube-se da intenção do Governo em acabar com as provas de aferição do 8.º ano em papel, passando a ser realizadas online.

O presidente da Confederação de Pais considerou "positiva" a intenção do Governo, mas salientou ser preciso assegurar que todos os alunos sabem utilizar a tecnologia.

Também o Presidente da Associação de Professores disse que é uma ideia “bem-vinda”, mas frisou que não se pode deixar que haja alunos prejudicados por falta de meios nas escolas e até pela velocidade da Internet em algumas regiões.