Mergulhadores da Guarda Civil espanhola recuperaram esta segunda-feira os corpos de dois tripulantes do pesqueiro português Santa Ana dados como desaparecidos após o naufrágio da embarcação, há uma semana, nas Astúrias.

O capitão marítimo de Avilés, Licinio Alonso de la Torre, confirmou que o resgate ocorreu pouco depois das 14:00 locais (13:00 em Lisboa) e que os corpos estão ainda por identificar.

Na segunda-feira passada foram recuperados os corpos do patrão da embarcação, que era português, e do cozinheiro, um espanhol, e no final da semana foram recuperados os corpos de um espanhol e de um indonésio. Depois dos dois corpos encontrados hoje, ficam ainda por localizar outros dois.

Há apenas um sobrevivente, um espanhol. Os quatro tripulantes dados como desaparecidos até hoje são o contramestre português Víctor José Farinhas Braga, os espanhóis Manuel María Tajes e Marcos del Agua Chacón e o indonésio Wasito.

Fonte da Guarda Civil explicou à Lusa que os corpos estão ainda a caminho de terra e que serão agora entregues à Polícia Judiciária para serem identificados, devendo a informação ser depois transmitida aos familiares dos desaparecidos que estão em Avilés a acompanhar as operações.

Não há ainda informações precisas sobre em que zona do navio os corpos foram encontrados, explicou a mesma fonte.

Os dois corpos foram descobertos depois de hoje as equipas de mergulhadores terem aberto uma entrada no casco para aceder aos compartimentos na zona de proa do pesqueiro, que naufragou por causas ainda não conhecidas numa ilha ao largo de Avilés (Astúrias).

Para fazer o buraco no casco os mergulhadores utilizaram uma lança térmica, ferramenta que aquece e derrete ferro na presença de oxigénio pressurizado para criar as altas temperaturas necessárias para o corte.

Com este novo ponto de acesso as equipas de mergulhadores da Guarda Civil e do Salvamento Marítimo puderam retirar mais escombros e aceder mais facilmente a uma zona onde se pensa que possam estar os tripulantes ainda desaparecidos.

A abertura de cerca de um metro e meio quadrado foi feita a estibordo, à altura da ponte da embarcação e próximo de um dos camarotes ali localizados.

Joaquín Maceiras, diretor de operações do Salvamento Marítimo, explicou aos jornalistas que os mergulhadores inspecionaram e comprovaram já que nos quatro camarotes da coberta e nas casas de banho e corredores correspondentes não havia corpos.

A investigação está agora centrada na proa, onde há três camarotes e também na sala de máquinas.