Cerca de 17 clientes da Vodafone afetados pelos incêndios de outubro estão ainda sem serviço porque, segundo o presidente da operadora, a rede de cobre sobre a qual assentava o seu serviço não foi substituída.

Na comissão parlamentar de Economia, Inovação e Obras Públicas, no âmbito de um requerimento do Bloco de Esquerda (BE) sobre o processo de compra da Media Capital pela Altice Portugal, Mário Vaz frisou isso mesmo: "Temos cerca de 17 clientes"sem serviço, o qual está dependente da rede de cobre".

"Essa rede de cobre, infelizmente ardeu" e "essa rede não foi substituída", continuou, explicando que no lugar desta ficou outro tipo de tecnologia (fibra).

Foi substituída por outro tipo de tecnologia que não temos acesso, o que inviabiliza atualmente [a reposição dos serviços àqueles cerca de 17 clientes da zona afetada pelos incêndios de outubro].

O gestor agradeceu a forma como aqueles clientes "têm esperado estoicamente pela reposição do serviço" e adiantou que "a Meo prometeu resolver agora em abril essas situações".

No final da audição, questionado pelos jornalistas sobre se esta rede era da Fibroglobal, o presidente executivo da Vodafone Portugal disse desconhecer.

Não faço ideia se aquilo que a PT está a repor é PT-PT ou se é PT que é, por sua vez, a entidade que fornece também a rede de comunicações da Fibroglobal".

Disse também que "é verdade que há coincidências entre concelhos ardidos, cobre que desapareceu nesses concelhos e que são concelhos em que a fibra era das redes rurais da Fibroglobal. Se quem está a repor é a PT, em substituição da sua anterior infraestrutura de cobre, ou se é a PT enquanto fornecedora de serviços da Fibroglobal, que também é por acaso sua acionista e também por acaso o seu único retalhista que vende serviços sobre essa rede, não sei. Só sei que é a PT".

Mário Vaz explicou que "para se acabar com o cobre é preciso pré-avisar e o pré-aviso não é tão pequeno quanto isso: são cinco anos para poder acabar com o cobre e pôr fibra".

"Nem vou discutir se faz sentido [colocar cobre no mundo da fibra]. A questão é que no cobre o cliente tinha alternativa, tinha opção de escolha de operadores, na fibra não tem", acrescentou. Isso é "que não pode ser", afirmou, recordando que os clientes da Vodafone aguardam desde outubro a reposição dos serviços.

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