A Quercus considera que as autoridades portuguesas estão mal preparadas para enfrentar a vespa asiática, com a maior parte das medidas previstas sem concretização, e pede um plano de conservação das vespas autóctones e bolsas de investigação.

O «Plano de Ação para a Vigilância e Controlo da Vespa velutina em Portugal», elaborado pela Direção-Geral de Alimentação e Veterinária, Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária e o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas, «peca essencialmente por falta de implementação», salienta um comunicado da Quercus hoje divulgado.



Mas, para a associação ambientalista, o documento levanta também várias questões importantes que podem pôr em causa a sua eficácia e a proteção da biodiversidade em Portugal. A vespa asiática ataca as abelhas.

A associação de defesa do ambiente alerta que está em curso, em Itália, o início de mais uma praga para a apicultura, o pequeno escaravelho das colmeias, e apela às autoridades portuguesas para que acompanhem o progresso desta espécie invasora, para «prevenção, preparação atempada e não de remediação».

Passados 10 anos do aparecimento, em França, da «vespa velutina nigrithorax», ou vespa asiática, e três anos depois da sua chegada a Portugal, a Viana do Castelo, «as autoridades tardam em implementar um plano eficaz de luta contra esta espécie invasora», havendo já uma «invasão descontrolada», com muitas colmeias afetadas.

Atualmente, a vespa já está instalada nas regiões do Douro Litoral e Minho e continua a progredir para sul e este, segundo a Quercus.

A revisão do plano de ação, apresentada recentemente, suscitou dúvidas à Quercus pois, «apesar de fazer uma boa análise da situação e de como agir, não apresenta datas de concretização, metas e responsabilidades bem definidas», e a página de internet que o integra ainda não está a funcionar.

Outra preocupação relaciona-se com o «desconhecimento e descoordenação das câmaras municipais», que são responsáveis pela destruição dos ninhos das vespas asiáticas.

Os ambientalistas defendem um plano de conservação das vespas autóctones, que podem ser importantes no combate à vespa asiática, e sugerem uma maior aposta na prevenção, nomeadamente com a criação de bolsas de investigação específicas para as universidades desenvolverem formas de luta, por exemplo, armadilhas específicas para a vespa velutina.