A Quercus defendeu, esta terça-feira, que o custo da poluição do ar pelas indústrias portuguesas está abaixo dos valores europeus, mas é «bastante significativo», porque afeta a saúde e representa prejuízos para a economia.
 
«Comparativamente a outros Estados-membros são valores que estão muito abaixo, porque [as instalações industriais portuguesas], ao longo dos anos, têm vindo a desenvolver os seus processos e a melhorar a eficiência», disse à agência Lusa Mafalda Sousa, da Quercus.
 
O valor total para os custos da poluição atmosférica em Portugal «está entre 3,3 mil milhões de euros e 6,6 mil milhões, um valor bastante significativo se pensarmos que está relacionado com impactos na saúde» e que representa «prejuízo para a economia portuguesa e para os sistemas de saúde», acrescentou.
 
A ambientalista comentava o relatório da Agência Europeia do Ambiente (AEA), divulgado segunda-feira, ao final da noite, a concluir que os custos da poluição pelas unidades portuguesas poderão ter ficado em mais de três mil milhões de euros, entre 2008 e 2012, enquanto no total da Europa poderá ter chegado a um milhão de milhões (um bilião) de euros.
 
O relatório sobre custos da poluição do ar por instalações industriais na Europa analisa 14 325 unidades, incluindo perto de 350 portuguesas, e abrange instalações do setor de produção de energia elétrica, mas também extração e processamento de combustíveis fósseis, por exemplo.
 
O documento «mostra que os custos associados à poluição atmosférica, entre 2008 e 2012, se situam entre 329 mil milhões de euros e um bilião [um milhão de milhões] de euros em toda a Europa», apontou Mafalda Sousa.
 
Para a ambientalista, este é «um número muito significativo, porque representa os custos associados, por exemplo, a mortes prematuras, a idas ao hospital ou centros de saúde, dias de trabalho perdidos, outros problemas associados como as alergias respiratórias, asma, bronquite, prejuízos para as culturas agrícolas e danos nos edifícios».
 
Portugal está mais atrás que muitos países europeus no «ranking» da AEA e, entre as primeiras instalações nacionais, estão «a central termoelétrica de Sines, no 125.º lugar, e a refinaria de Sines, no lugar 163, instalações mais relacionadas com alguns poluentes para nós mais preocupantes, como os óxidos de azoto, as partículas inaláveis, o dióxido de carbono e o dióxido de enxofre», realçou.
 
Os custos associados são avaliados pela AEA em margens mínima e máxima e, «no caso da central termoelétrica de Sines, temos um custo entre 528 milhões de euros e 912 milhões de euros, e a refinaria de Sines, entre 400 milhões e 974 milhões de euros», avançou.
 
Os 30 primeiros lugares da tabela são sobretudo ocupados por países com grandes instalações poluentes, menos eficientes e com custos mais elevados, como Alemanha, Polónia, Roménia, Bulgária e Reino Unido.
 
Mafalda Sousa recordou que estimativas da AEA, referentes a 2011, apontam para a ocorrência em Portugal de cerca de 6 000 mortes prematuras relacionadas com índices elevados de partículas e cerca de 330 mortes devido aos níveis elevados de ozono, números considerados «preocupantes» pela Quercus.
 
O último Eurobarómetro revela que 66% dos portugueses colocam a qualidade do ar entre as cinco principais questões ambientais que mais os preocupam.