Na aldeia de Mourão, no concelho de Vila Flor, Braga, há uma tradição que está a indignar os movimentos de defesa dos direitos dos animais e não só. Nos últimos dias surgiu nas redes sociais o vídeo de um gato queimado vivo, durante uma festa popular. Tudo terá acontecido na noite de São João. A GNR recebeu “várias queixas” e confirmou à TVI que o MP abriu um inquérito e o caso será investigado.

As imagens podem ferir a suscetibilidade das pessoas mais sensíveis.

Uma das denúncias foi feita pelo Movimento Internacional em Defesa dos Animais (MIDAS) na sua página de Facebook. Pede o grupo, que as autoridades que investiguem o caso como um crime de maus tratos de animais.

O vídeo terá sido divulgado pelo Grupo de Danças e Cantares de Vila Flor, Braga, mas pouco tempo depois foi retirado devido à reação que provocou.

A GNR confirmou à TVI que as autoridades receberam “várias queixas” por maus tratos aos animais. Após as denúncias, o Ministério Público “decidiu abrir um inquérito” e o caso vai agora ser investigado pela Guarda Republicana.

Fonte oficial do Comando de Braga explicou à TVI que agora “vão ser feitas diligências no sentido de identificar os intervenientes” e, ainda, “recolhidos vestígios”.  “Estamos perante um crime punível por lei”, concluiu.


Além de pedirem que os intervenientes no ritual sejam acusados pela justiça, os defensores dos animais também lançaram uma petição pública. No documento, explicam o que acontece durante a “Queima do Gato” e lembram que a tradição tinha, alegadamente, sido abolida em 2008.

E que consiste? Um gato vivo é colocado dentro de um cântaro e depois içado até ao topo de um mastro. O mastro é forrado a palha e é ateado fogo à palha. Conforme as chamas sobem consomem as cordas que prendem o pote de barro e este cai libertando o animal. 

No entanto, no vídeo divulgado é possível perceber que o ritual não terá corrido como previsto. O Cântaro não caiu, e ficou à mercê das chamas com o gato vivo lá dentro. Quando finalmente se quebra, é possível ver o animal a fugir, com pequenas chamas no corpo.

A TVI também tentou falar com a Câmara Municipal de Vila Flor, mas a vereadora da Cultura, não se mostrou disponível para falar.

Relembramos que as imagens podem ferir a suscetibilidade das pessoas mais sensíveis.