Doze das 31 réplicas de quadros da exposição “ComingOut", instalada em ruas de Lisboa pelo Museu Nacional de Arte Antiga, foram furtadas dos locais onde tinham sido afixadas, há dois meses, revelou esta terça-feira fonte daquela entidade.

Contactada pela agência Lusa, fonte do gabinete de comunicação do MNAA indicou que as 19 reproduções que ainda se mantêm - em escala real, com molduras em madeira e tabelas, tal qual são expostas num museu - não foram vandalizadas.

Inaugurada a 29 de setembro, a exposição colocou 31 réplicas de grandes obras da coleção do MNAA em várias ruas das zonas do Chiado, Bairro Alto e Príncipe Real.

Relativamente aos 12 furtos, o museu considera que, "sem deixarem de ser atos condenáveis, parecem demonstrar um irrefreável 'amor à arte' ou, melhor, 'amor à reprodução', por parte de alguns cidadãos", cita a Lusa.

O MNAA sublinha que as reproduções expostas não têm qualquer valor patrimonial.

"Inferno", reprodução de uma pintura do século XVI, criada por um mestre português desconhecido, que se encontrava na rua da Rosa, no Bairro Alto, foi a primeira réplica a ser furtada, 48 horas após a inauguração da mostra.

Duas semanas depois desapareceram os quadros “Ruínas de Roma Antiga”, de Giovanni Paolo Pannini, e “Feira da Ladra na Praça da Alegria”, de Nicolas Delerive, que se encontravam ao cimo da rua das Taipas, junto ao miradouro de São Pedro de Alcântara.

Foram ainda furtadas "Cortesã", de Jacob Adriaenz Backer (rua das Salgadeiras), "Obras de Misericórdia", de Peter Brueghel, o Jovem (calçada da Glória), "São Damião", de Bartolomé Bermejo (travessa dos Teatros), "Virgem e o Menino", de Hans Memling, e "São Jerónimo", de Albrecht Dürer (ambas na rua Garrett), "Retrato do Rei D. Sebastião", de Cristóvão de Morais (rua do Loreto), "Santo Agostinho", de Pierro della Francesca (calçada do Sacramento), "Homem do Cachimbo" de Gustave Courbet (rua da Barroca), e Retrato do Conde de Farrobo, de Domingos António de Sequeira (largo do Picadeiro).

Quando foi furtada a primeira obra, contactado pela agência Lusa, o diretor do MNAA, António Filipe Pimentel, disse não ter ficado surpreendido.

"Esta situação era previsível e também aconteceu em Londres, onde foi lançada uma iniciativa semelhante", apontou Filipe Pimentel, acrescentando que "não deixa de ser curioso e até cómico que tenha desaparecido o quadro do 'Inferno', nas primeiras 48 horas da inauguração da mostra”.

O MNAA considera que o caráter interativo da exposição proporciona este tipo de situações, mas espera que as pessoas acolham bem e estimem as obras expostas.

“ComingOut. E se o Museu saísse à rua?” segue o projeto desenvolvido em Londres, nos bairros de Convent Garden, Soho e Chinatown, pela National Gallery, denominado “The Grand Tour”.

Com este projeto, o museu - que detém um dos mais importantes espólios de arte portuguesa – tem por objetivo divulgar o património artístico e histórico do seu acervo ao público nacional e estrangeiro.

"ComingOut" foi preparado ao longo de vários meses e implicou o levantamento, por técnicos do MNAA e da Câmara Municipal de Lisboa, dos imóveis das ruas, e um pedido de autorização aos proprietários para a afixação durante três meses.

De acordo com o MNAA, a exposição não teve custos para o museu, porque resultou de uma parceria, com a reprodução das obras da HP Portugal, apoio da Ocyan e edição de um catálogo patrocinado pela Vodafone.