O porta-voz do Observatório de Segurança, Criminalidade Organizada e Terrorismo considerou hoje «boas notícias» a diminuição da criminalidade, mas advertiu que é preciso ter em atenção outros tipos de crime, como a cibercriminalidade e o terrorismo.

Filipe Pathé Duarte comentava desta forma à agência Lusa os dados do Relatório Anual de Segurança Interna (RASI), hoje divulgados e segundo os quais a criminalidade violenta e grave desceu 5,4 por cento em 2014, face ao ano anterior.

Segundo o RASI, que apresenta os principais resultados da criminalidade e atividade das forças e serviços de segurança, em 2014 registaram-se 19.061 casos de criminalidade violenta e grave, menos 1086 em relação a 2013.

«São boas notícias a diminuição da criminalidade participada, uma tendência que tem vindo a verificar-se, pelo menos desde 2008», e que resulta de «uma maior capacitação e formação dos elementos das várias forças de serviço de segurança» e da «entrega do cumprimento do dever» dos elementos que as compõem, disse o porta-voz do Observatório de Segurança, Criminalidade Organizada e Terrorismo (OSCOT).

Por outro lado, adiantou, esta diminuição da criminalidade «desconstrói o anátema que associa a crise a um possível aumento da criminalidade, dois fatores que não podem ser perspetivados como estando relacionados».

Filipe Pathé Duarte advertiu que, não obstante a diminuição da criminalidade, é «preciso também tomar em atenção» a «um determinado tipo de criminalidade que tem vindo a surgir no espaço europeu», nomeadamente a cibercriminalidade e o terrorismo, «fruto do jihadismo de natureza autóctone».

«“São ameaças que não devemos relativizar», frisou.

Disse ainda esperar que estes dados sejam também «condições suficientes» para que o sentimento de insegurança entre a população diminua.

«O sentimento de insegurança nem sempre é proporcional à insegurança "per si"», disse o porta-voz do OSCOT, lembrando que Portugal tem “excelentes níveis de segurança” e índices de criminalidade dos mais baixos a nível europeu.