O número de psicólogos por alunos nas escolas portuguesas é atualmente de 1/1.700 alunos, quando o rácio recomendado é de 1/1.000, o que significa que “faltam mais de 500 psicólogos devidamente distribuídos”, disse esta terça-feira o bastonário da Ordem.

Em declarações à Lusa, o bastonário da Ordem dos Psicólogos Portugueses (OPP), Telmo Mourinho Baptista, defendeu uma maior inclusão destes profissionais nas grandes áreas de intervenção, nomeadamente na educação e saúde, registando, contudo, “movimentos de mudança” no atual paradigma.

Tanto na área da saúde, como da educação, como nas organizações, há falta de uma presença de psicólogos que garanta uma cobertura uniforme e aceitável daquilo que deveria ser a presença dos psicólogos”, disse Telmo Baptista, que falava à Lusa a propósito do 3.º Congresso da Ordem dos Psicólogos, que começa quarta-feira, no Porto.

O responsável sublinha que, apesar de se saber que “ainda existe um caminho a percorrer”, é possível acreditar que estão a ser dados “importantes passos rumo à afirmação dos psicólogos nas escolas”.

Referiu, por exemplo, que o Conselho Nacional de Educação emitiu um parecer “a sublinhar que eram necessários mais psicólogos nas escolas” e que o Ministério da Educação se comprometeu “a disponibilizar 30 milhões de euros para os próximos tempos, com o objetivo de se contratar mais psicólogos e proporcionar melhores condições aos que já trabalham nas escolas”.

No Serviço Nacional de Saúde (SNS), em 2015, existiam 553 psicólogos (ACSS, 2015), que serviam uma população aproximada de 9.869.783 pessoas residentes em Portugal continental em 2014 (INE), representando um rácio de 1/17.848 utentes.

É, portanto, necessária uma melhor distribuição e uma contratação considerável de psicólogos. Contudo, importa sublinhar que a OPP tem vindo a trabalhar com as diversas ordens e o Ministério da Saúde, no âmbito da promoção e sustentabilidade do SNS. Portanto, parece existirem sinais que o atual paradigma poderá mudar”, frisou o bastonário.

O congresso, que conta com cerca de 1.800 participantes, “uma boa demonstração da força da psicologia na intervenção, fica muito claro que temos uma intervenção que é muito útil a vários níveis, porque beneficia as pessoas, as famílias, os grupos, as organizações, a comunidade e reduz custo”, acrescentou Telmo Baptista.

Durante o encontro, que se prolonga até sexta-feira, será lançado oficialmente o livro “Uma Dor Tão Desigual”, que resulta de uma parceria entre a Ordem dos Psicólogos e oito escritores lusos, onde se explora as diferentes variantes dos distúrbios psicológicos.

Afonso Cruz, Dulce Maria Cardoso, Gonçalo M. Tavares, Joel Neto, Maria Teresa Horta, Nuno Camarneiro, Patrícia Reis e Richard Zimler “mostram o quão asfixiante pode ser a doença e quanta diferença faria uma sensibilidade refrescante”, refere a organização do congresso.