O PSD acusa o Governo e o PS de estarem "a discriminar vários concelhos afetados pelos incêndios", na sequência da aprovação, esta quinta-feira, do alargamento dos apoios dados a Pedrógão Grande aos municípios afetados pelos fogos de outubro. 

"Apesar de o Governo ter hoje aprovado uma resolução que alarga aos concelhos que arderam a 15 de outubro as mesmas medidas aprovadas para os concelhos afetados pela tragédia de Pedrogão, os concelhos que arderam em julho, agosto e setembro continuam de fora", refere o PSD em comunicado, através do deputado Duarte Marques.

Também no Parlamento, "a iniciativa do PS discrimina vários dos concelhos que mais arderam, como Mação, Fundão, Gavião, Nisa, Vila de Rei, Ferreira do Zêzere, entre outros".

Para o maior partido da oposição, é "inexplicável" que os municípios afetados pelos incêndios "não sejam todos tratados por igual".

O mesmo comunicado lembra que a proposta do PSD que foi chumbada na Assembleia da República, e hoje apresentada como alteração aos projetos em debate, "visa atribuir o mesmo de tipo de benefícios e apoios dados aos concelhos que arderam em Pedrógão a todos os outros que arderam e que face à gravidade dos prejuízos foram incluídos no Fundo de Emergência Municipal".

Concelhos com muita área ardida, com muitos prejuízos e que carecem de apoios especiais para recuperar. É o caso dos municípios de Mação, Oleiros, Fundão, Gavião, Nisa, Sardoal, Vila de Rei, Ferreira do Zêzere, Abrantes, Monção, entre outros, e que até agora têm sido discriminados".

O deputado Duarte Marques refere ainda ser "inaceitável que a proposta de alteração apresentada pelo Partido Socialista aos diplomas em discussão exclua, por exemplo, o terceiro concelho com mais área ardida deste verão, Mação", uma "discriminação `à la carte" lamentável e nada digna de um partido que se diz preocupado com o interior de Portugal".

A Associação das Vítimas do Maior Incêndio de Sempre em Portugal (AVMISP) também veio hoje defender que a extensão das medidas de apoio às vítimas dos incêndios de junho ao território devastado pelos fogos de outubro “não altera as desigualdades”.

“Com os mesmos factos, o Governo quer fazer várias notícias”, disse à agência Lusa o presidente da AVMISP, Luís Lagos, considerando que este alargamento “já tinha sido anunciado” no dia 21 de dezembro.

O Governo está a tentar tapar o sol com a peneira”.

Os empresários e outras vítimas, representados pela AVMISP, com sede em Oliveira do Hospital, distrito de Coimbra, estão “ainda à espera da reposição da igualdade” por parte do Estado na concessão das ajudas.