A Fenprof adiantou esta quinta-feira que um terço dos professores indicados para corrigir os exames de inglês da Cambridge ainda não tem a certificação necessária, denunciando pressões do IAVE para que seja concluída, apesar do pré-aviso de greve vigente.

Em declarações à agência Lusa, a dirigente sindical da Federação Nacional de Professores (Fenprof) Anabela Sotaia disse que “pelo menos um terço dos professores estará em falta” na lista dos cerca de 2.400 docentes de inglês que deveriam ser certificados para poderem corrigir os exames de aferição de proficiência em língua inglesa da autoria do instituto da Universidade Cambridge.

De acordo com a sindicalista, “de dia para dia há mais professores a aderir à greve” convocada pela Fenprof a todo o serviço à prova de inglês, e cujo pré-aviso abrangia o período de 7 de abril a 6 de maio.

Em comunicado divulgado esta quinta-feira, a Fenprof refere que o Instituto de Avaliação Educativa (IAVE) convocou os professores ainda sem certificação ou formação concluída para comparecerem, esta quinta e sexta-feira, nas instalações do instituto em Lisboa, com o objetivo de realizarem formação presencial.

“Esta formação, caso os professores cedessem às pretensões do IAVE/MEC, seria realizada, uma vez mais, com o prejuízo das aulas dos alunos e desta vez nas instalações do IAVE em Lisboa, com os professores a deslocarem-se de todo o país e com todas as despesas pagas.”


A Fenprof acusa ainda o IAVE de pressão crescente sobre os docentes e as direções das escolas para que se concluam os processos de formação, “indo ao ponto de alguns diretores estarem a ameaçar os professores com eventuais processos disciplinares”.

A Lusa contactou o IAVE para obter esclarecimentos e aguarda resposta.

Já na semana passada os diretores escolares tinham vindo a público alertar para o problema, referindo que o atraso na certificação de alguns professores destacados para classificar o teste de inglês Cambridge poderá atrasar a realização das orais.

“O Ministério da Educação tem de ser mais rápido a agir, porque não podemos pedir aos professores sem certificação para fazer as orais”, disse à Lusa Filinto Lima, vice-presidente da Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas (ANDAEP).

Segundo informações do IAVE na passada semana dos quase 2.400 professores envolvidos no processo de classificação, 1.500 já concluíram a formação destinada a classificar a prova nas componentes oral e escrita, mas o processo de certificação “ainda decorre”.

A avaliação oral decorre até 22 de maio, cabendo a cada escola decidir o dia e a hora para a realização do teste. Já a prova escrita vai realizar-se a seis de maio para todos os alunos.

O “Preliminary English Test” (PET) envolve, no total, 111 mil alunos, na sua grande maioria do 9.º ano, para quem a prova é obrigatória.

“De outros graus de ensino inscreveram-se para realizar o teste, e obter o respetivo certificado, quatro mil alunos”, afirma, em comunicado, o organismo responsável pelas provas e exames em Portugal.

Os professores contestaram a participação nestas tarefas e a necessidade de formação.

A Federação Nacional da Educação (FNE) chegou a acordo com o Ministério da Educação sobre o envolvimento dos docentes da escola pública neste processo, mas a plataforma sindical composta pela Fenprof e outras seis organizações sindicais mantém a greve a todo o serviço relacionado com este teste.