Os professores, que montaram um acampamento à frente da Escola Dona Maria, em Coimbra, às 19:00, não sabem se vão passar a noite nas tendas, mas prometem um cordão humano pela manhã, para boicotar a prova de avaliação.

«Não admitimos que se faça uma prova de avaliação a pessoas que não tiraram um curso a um domingo e que não o fizeram por equivalências», defendeu à Lusa, André Pestana, dinamizador da iniciativa, que pretende apelar ao boicote à Prova de Avaliação de Capacidades e Conhecimentos (PACC), que se realiza esta quarta-feira, a todos os professores contratados com menos de cinco anos de serviço.

Os professores presentes no acampamento ainda não sabiam se iam passar a noite nas tendas, mas têm a certeza de que, às 08:00 de quarta-feira, estarão à frente da Escola Secundária Dona Maria, para decidir quais as escolas em que vão desenvolver ações de luta e como será dinamizado o cordão humano.

Esse cordão humano, segundo André Pestana, tem por objetivo ser um «símbolo da união dos docentes».

A escolha da Escola Infanta Dona Maria para o acampamento, segundo o dinamizador da iniciativa, foi por esta ser «considerada uma escola de topo» - tem sido sempre a primeira escola pública nos «rankings» anuais -, sendo as tendas um símbolo da «precariedade e degradação» dos professores, da quebra na qualidade de ensino e da falta de apoio a alunos com necessidades educativas especiais.

«Ao mesmo tempo, vemos o Estado a dar milhões aos colégios privados, financiando grupos económicos obscuros», criticou André Pestana.

O dinamizador da iniciativa considerou que são necessárias «lutas mais consequentes», num momento em que os professores «estão cansados das formas de luta tradicionais» dos sindicatos.

Flora Domingos, professora de História, está isenta da prova, mas esteve no acampamento por «solidariedade», considerando a prova «uma humilhação» para os professores.

«Sou professora desde 1999/2000. Corri o país todo, de Mirandela a Faro, ponho a vida pessoal de lado e o Ministério da Educação usa-me todos os anos», protestou, afirmando que está disposta a passar a noite nas tendas, em frente à Escola Dona Maria.

Joana Morais, professora do 1.º ciclo, também presente no acampamento, não vai fazer a PACC por «uma questão de princípio».

«Fui avaliada várias vezes. Tenho «muito bons» nas avaliações que me fizeram e agora não presto?», questionou Joana, de momento desempregada.

Estão inscritos para a prova 13.498 docentes, segundo dados do Instituto de Avaliação Educativa Educativa (IAVE).

A prova está marcada para 113 escolas, a partir das 10:30, e tem a duração de duas horas, havendo várias iniciativas em curso para tentar travar a sua realização, incluindo uma greve a todo o serviço relacionado com o exame.

Para o Ministério da Educação, trata-se de um instrumento destinado a escolher os melhores professores para o sistema.

O setor privado apoia a medida e diz que já a pratica.