Muitos professores de escolas portuguesas nas ilhas e no estrangeiro vão gastar centenas de euros para fazer a prova de avaliação e continuam sem garantia de que as faltas às aulas serão justificadas, alertou o sindicado.

O aviso de abertura da Prova de Conhecimentos e Capacidades para educadores de infância e professores do básico e secundário não integrados na carreira docente foi publicado na terça-feira em Diário da República, dando informações como as localidades onde se poderá realizar a prova.

Nos Açores, serão feitas em apenas três das nove ilhas: na Terceira (na Praia da Vitória), Faial (Horta) e S. Miguel (Ponta Delgada). Os professores das restantes ilhas terão de fazer a viagem para poder estar a 18 de dezembro numa daquelas três cidades.

«Existem várias situações graves de dificuldade de realização da prova. Desde logo nas ilhas, porque a concentração só em algumas ilhas faz com que os candidatos tenham que pagar do seu bolso as viagens e alojamentos, porque isto implica sempre mais do que um dia. São dois ou três dias de deslocação e é preciso que não haja tempestades que impeçam as viagens», lembrou o secretário-geral da Federação Nacional da Educação (FNE), João Dias da Silva.

Ainda mais grave é o caso dos professores colocados no estrangeiro: «Estão obrigados a vir realizar a prova a Portugal pagando do seu bolso a deslocação e as estadias necessárias», disse o sindicalista, dando exemplos de docentes que estão na África do Sul, Estados Unidos, Namíbia, ou nas escolas portuguesas em Maputo, Luanda, Alemanha, Luxemburgo ou Suíça.

Para muitos, o custo de realizar a prova, cuja inscrição custa 20 euros, irá facilmente ultrapassar uma centena de euros, entre viagens e estadia.

«A própria distribuição geográfica das localidades onde as provas se vão realizar faz com que os candidatos mesmo da região do continente tenham que percorrer grandes distâncias para realizar a prova», acrescentou Dias da Silva.

Os professores queixam-se também de não terem justificação para, em caso de necessidade, faltar às aulas e às reuniões de avaliação, uma vez que a prova se realiza no final do primeiro período de aulas.

A FNE critica também o facto de o aviso definir que não será devolvido o dinheiro da inscrição da prova a quem falte por motivo que lhes seja imputável. «Mas, para além do valor que é a inscrição na prova, as mulheres que nesse dia estiverem em situação de parto e que, por esse motivo, não puderem realizar a prova como é que se revolvem o problema? E quem tiver tido um acidente e estiver hospitalizado?», questionou Dias da Silva.

Para a FNE, é ainda uma «injustiça flagrante» o facto de a norma ter sido concebida de forma a impedir as pessoas de concorrer no próximo concurso de colocações caso não realizem a prova.

As inscrições para a realização da prova estão abertas a partir desta quarta-feira e durante uma semana no site da Direção Geral da Administração Escolar, estando previsto para quinta-feira a divulgação do guia da prova.

A Lusa contactou o Ministério da Educação e Ciência (MEC) mas não obteve qualquer resposta até ao momento.