Cerca de 200 suinicultores juntaram-se este sábado frente ao Pavilhão de Portugal, em Lisboa, para chamar a atenção da opinião pública para crise que atravessa o setor e pedir que consuma carne nacional.

Segundo João Correia, um dos promotores da iniciativa, Portugal é deficitário na produção da carne de porco, mas os suinicultores têm dificuldade em escoar o produto.

O suinicultor queixou-se também do baixo preço que é pago aos produtores, explicando que os custos de produção ascendem atualmente a 1,50 euros por quilo, enquanto esse mesmo quilo é vendido a 1 euro.

A situação é de tal forma dramática, alertou, que se corre o risco de ter de fechar 40% da produção nacional dentro de dois meses. Estão em causa 200 mil postos de trabalho diretos, afirmou João Correia.

Os suinicultores querem por isso chamar a atenção dos consumidores para “comerem o que é nosso” e pediram mais atenção a rotulagem.

Questionado sobre o que espera do trabalho do novo ministro da Agricultura, o produtor apontou Capoulas Santos como uma pessoa "muito preocupada" e espera que obrigue a cumprir a rotulagem que entrou em vigor em abril para identificar a carne de porco.

Alguns suinicultores dizem que nem todas as grandes superfícies estão a cumprir esta obrigação e revoltaram-se com o facto de ser sempre a carne de porco a servir de chamariz para as promoções.

“É uma vergonha o que fazem à carne de porco portuguesa”, indignou-se João Correia.


Depois da concentração, os suinicultores, que envergavam t-shirts com um desenho de um porco e o apelo “Coma o que é nosso”, dirigiram-se ao hipermercado do Centro Comercial Vasco da Gama para fazer uma ação de sensibilização junto da população.

No hipermercado compraram embalagens de carne de porco nacional e espanhola para mostrar à população que, quer em termos de preço ou de qualidade, valia a pena comprar o produto nacional.

Espalhados em pequenos grupos, os suinicultores iam falando com alguns clientes dos hipermercados perante o olhar contrariado dos responsáveis da loja, que acabaram por chamar a polícia.

Os agentes identificaram alguns dos suinicultores e questionaram os seus motivos, mas perante o facto de não se tratar de uma manifestação e de não haver quaisquer altercações permitiram que se mantivessem no local.

Os clientes, por outro lado, foram recetivos à iniciativa.

Paulo Sousa, que levava já uma embalagem de carne portuguesa no carrinho, salientou que era importante defender os produtos nacionais, embora tenha confessado estar "muito pouco" atento aos rótulos.

António Lino também não olha para os rótulos, embora seja defensor de "tudo o que é nosso".

"Olho mais para o preço e para o aspeto do que para a origem", disse à Agência Lusa.

Ainda assim, foi sensível à interpelação dos suinicultores e após alguns minutos de conversa, já perguntava aos produtores como se pode distinguir a carne nacional.

Estão registados em Portugal cerca de 4 mil suinicultores industriais, havendo no total quase 14 mil explorações.